Fariseus e Publicanos

Reflexão à Liturgia da Palavra do XXX Domingo do Tempo Comum Ano C

De fariseu e publicano todos temos um pouco, ou talvez muito. Andam dentro de nós os dois à mistura; mas a parábola deste Domingo ajuda-nos a tirar a máscara que não só cobre o rosto, mas disfarça também o que na verdade somos. Vamos subir ao templo. Na nossa intimidade com Deus se mostrará o fariseu ou publicano que nós somos.

A vida de cada um de nós há-de ser uma caminhada para o Céu. Ali nos espera o prémio da vitória. Para o alcançarmos temos de lutar. Uma luta que se desenrola única e exclusivamente dentro de nós. É com o bom combate da fé, de que nos fala S. Paulo na segunda leitura de hoje. Pela participação activa na Santa Missa, vamos renovar o nosso empenho para sermos santos, enchendo-nos da força de Jesus Cristo. 

Deus escuta a oração do humilde. A humildade é condição fundamental para uma oração bem feita. Disto nos dá conta a primeira leitura, tirada do livro de Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a.

Para Salmo Responsorial, a liturgia propõe o salmo 33(34) 2-3.17-18.19.23. Neste salmo louvamos o Senhor que escuta a nossa oração e nos conforta em todas as angústias.

Na segunda leitura temos a segunda Epístola de S. Paulo a Timóeo 4, 6-8.16-18. Nesta missiva, S. Paulo lembra que a sua vida está a chegar ao fim, e a ofereceu toda ao Senmhor, trabalhando para que a mensagem do Evangelho chegasse a toda a parte. O Senhor dará o prémio da vida eterna, a ele e a todos os que esperam com amor a Sua vinda.

Jesus ensina-nos a rezar com humildade e confiança, para que Deus nos escute. “Dou-vos graças por não ser como o resto dos homens” – este exemplo de Jesus na parábola descrita no Evangelho deste Domingo que nos relata o oração do fariseu e do publicano, relatada no Evangelho segundo S. Lucas 18, 9-14. Esta era a oração feita pelo fariseu. A oração dele era a glorificação da sua pessoa. O auto-elogio dos seus méritos e virtudes. Não era oração, mas suborno. Como o fariseu, também faço muitas vezes da muinha oração como se fosse um género literário, na qual, sob aparências piedosas, me julgo melhor que os outros. Dou sobras e dízimos, mas recuso dar-me a mim mesmo. A Deus não se ama por conta e medida, mas ama-se dando tudo. Há rigores de moral, que são fugas secretas às exigências do amor, no culto das formas e aparências, tal como “sepulcros branqueados”.

Na sua oração, o publicano reza: “Meu Deus, tende compaixão de mim”. Apresenta-se ao Senhor de mãos vazias, pobre e distante. Não apoia a oração em boas obras, mas apenas no amor misericordioso. A verdade da sua vida é o que o há-de recomendar. Todos somos publicanos, pecadores arrependidos. Não somos justos, mas justificados pela graça de Jesus Cristo. A verdadeira humildade está em ser o que sou e ocupar o meu lugar. A oração perfeita dá tudo, até a própria miséria. É muito fácil dar coisas, mas difícil dar pobreza. É a ciência dos humildes.

Jesus continua a apresentar a parábola e acrescenta: “O publicano saiu justificado e o outro não. Os juízos de Deus são diferentes dos nossos. Ai de nós se assim não fosse! Deus “não olha à condição das pessoas”, como refere Ben-Sirá na primeira leitura. Para além do que aparece é que o amor principia. “Somos justificados pela fé em Jesus Cristo e não pelas obras da Lei”, refere S. Paulo na Epístola aos Gálatas 2,16. Foi a misericórdia de Deus que nos justificou e não os nossos méritos. O fariseu apelou para a Lei e saiu condenado; o publicano apelou para o amor e voltou absolvido. O publicano acreditou no amor; o fariseu acreditou em si.

O Evangelho termina com esta frase de Jesus: “Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”. A humildade é a força dos pobres, o segredo que opera maravilhas. Humildade é amor; por isso eleva e exalta. Humildade sem amor converte-se em orgulho. No fogo do amor se purifica toda a escória da imperfeição, que nos mancha e desfigura. Tenho de limar todo o peso de orgulho e egoísmo, para poder subir às alturas de Deus e de mim. A única elevação sólida e verdadeira é a que se apoia em Jesus Cristo, pedra fundamental.

Mas toma cuidado, tu que és publicano: Não vás fazer como o fariseu e dizer: Meu Deus dou-Vos graças por não ser como este fariseu! Por vezes até a miséria pode ser motivo para orgulho. Sob o pretexto de evitar rigorismos farisaicos, não andemos a fugir àquilo que custa. Levamos dentro de nós um fariseu incorrigível, que sai à praça quando menos se espera.

Que a Virgem do Rosário, cujo mês estamos a celebrar, nos anime a olhar para o Céu e a combater cá na terra o bom combate da fé. Ó Maria, Raínha das Missões, dai-nos muitos e santos missionários.

DiÁCONO ANTÓNIO FIGUEIREDO

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