OFÍCIO DE DEFUNTOS

INVOCAÇÃO INICIAL

Deus, vinde em nosso auxílio.
Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio agora e sempre. Amen. Aleluia.

HINO

Nós Te rogamos, Senhor,
Pelos irmãos que morreram
E à procura do teu rosto
À tua porta bateram.

Recebe-os junto de Ti
Por tua grande bondade,
Teu amor os transfigure
Em divina claridade.

Pelo sangue que na Cruz
Por todos foi derramado,
Perdoa suas ofensas,
Purifica-os do pecado.

Lembra-te, Pai, que era frágil
O barro de que os fizeste.
Compadecido, recebe-os
Na tua glória celeste.

Os nossos rogos aceite
O teu coração paterno.
No esplendor da luz perpétua,
Dá-lhes o descanso eterno.

SALMODIA

Ant. 1: Formastes-me da terra, revestistes-me de carne: Senhor, meu Redentor, ressuscitai-me no último dia.

Salmo 39 (40), 2-14.17-18 

I

Esperei no Senhor com toda a confiança *
e Ele atendeu-me.
Ouviu o meu clamor *
e retirou-me do abismo e do lamaçal,
assentou os meus pés na rocha *
e firmou os meus passos,
pôs em meus lábios um cântico novo, *
um hino de louvor ao nosso Deus.
Vendo isto, muitos hão-de temer *
e pôr a sua confiança no Senhor.
Feliz de quem pôs a sua confiança no Senhor *
e não se voltou para os arrogantes, †
para os que seguem a mentira.
Muitos e maravilhosos são os vossos prodígios †
sobre nós, Senhor meu Deus, *
ninguém se Vos pode comparar.
Quisera anunciá-los e proclamá-los, *
mas são tantos que não se podem contar.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações, *
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações, *
então clamei: «Aqui estou.
De mim está escrito no Livro da Lei *
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus, *
a vossa lei está no meu coração».
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,*
como era no princípio agora e sempre. Amen.

Ant.: Formastes-me da terra, revestistes-me de carne: Senhor, meu Redentor, ressuscitai-me no último dia.

Ant. 2: Senhor, vinde em meu auxílio; socorrei-me e salvai-me.

II

Proclamei a justiça na grande assembleia, *
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração, *
proclamei a vossa fidelidade e salvação.
Não ocultei a vossa bondade e fidelidade, *
no meio da grande assembleia.
Não me recuseis, Senhor, a vossa misericórdia, *
protejam-me sempre a vossa bondade e fidelidade.
Caíram sobre mim males sem conta, *
assediaram-me os pecados e já não posso ver.
São mais numerosos que os cabelos da minha cabeça, *
e até me sinto desfalecer.
Senhor, vinde em meu auxílio, *
socorrei-me e salvai-me.
Alegrem-se e exultem em Vós *
todos os que Vos procuram.
Digam sempre: «Grande é o Senhor» *
os que desejam a vossa salvação.
Eu, porém, sou pobre e infeliz: *
Senhor, cuidai, de mim.
Sois meu protector e libertador: *
ó meu Deus, não tardeis.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,*
como era no princípio agora e sempre. Amen.

Ant.: Senhor, vinde em meu auxílio, socorrei-me e salvai-me.

Ant. 3: Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei contemplar a face do Senhor?

Salmo 41 (42)

Como suspira o veado pelas correntes das águas, *
assim minha alma suspira por Vós, Senhor.
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: *
quando irei contemplar a face de Deus?
Dia e noite as lágrimas são o meu pão, *
enquanto me repetem todo o dia: †
«Onde está o teu Deus?».
A minha alma estremece ao recordar *
quando passava em cortejo para o templo do Senhor,
entre as vozes de louvor e de alegria *
da multidão em festa.
Porque estás triste, minha alma, e desfaleces? *
Espera em Deus: ainda O hei-de louvar, †
meu Salvador e meu Deus.
A minha alma está desolada: *
no vale do Jordão e do Hermon e no pequeno monte †
me lembro de Vós.
Abismo atrai abismo no fragor das águas revoltas: *
vossas torrentes e vagas passaram sobre mim.
De dia mande-me o Senhor a sua graça, *
de noite canto e rezo ao Deus da minha vida.
Digo a Deus: Sois o meu protector, †
porque Vos esqueceis de mim? *
Porque hei-de andar triste sob a opressão do inimigo?
Quebram-se meus ossos, quando os inimigos me insultam*
ao repetirem todo o dia: «Onde está o teu Deus?».
Porque estás triste, minha alma, e desfaleces? *
Espera em Deus: ainda O hei-de louvar, †
meu Salvador e meu Deus.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,*
como era no princípio agora e sempre. Amen.

Ant.: Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei contemplar a face do Senhor?

V.: É grande, Senhor, a vossa misericórdia:
R.: Vivificai-me segundo a vossa promessa.

PRIMEIRA LEITURA
(1Cor 15, 12-34) A ressurreição de Cristo, esperança dos fiéis

Da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios 

Irmãos: Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos?
Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é inútil e também é inútil a vossa fé. E nós aparecemos como falsas testemunhas de Deus, porque damos testemunho contra Deus, ao afirmar que Ele ressuscitou Jesus Cristo, quando de facto não ressuscitou, a ser verdade que os mortos não ressuscitam.  Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; e assim, os que morreram em Cristo também se perderam. Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas, não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai, depois de ter aniquilado toda soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido, é claro que se exceptua Aquele que tudo Lhe submeteu. Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
Eu todos os dias me exponho à morte, pela glória que tenho de vós, irmãos, em Jesus Cristo, nosso Senhor. Se foi por motivos humanos que lutei com as feras em Éfeso, que proveito alcancei? Se os mortos não ressuscitam, «comamos e bebamos, que amanhã morreremos»! Não vos iludais: as más companhias corrompem os bons costumes. Despertai, como deveis, dessa embriaguez e não continueis a pecar, pois alguns de vós vivem em total ignorância de Deus. Para vossa vergonha o digo.

RESPONSÓRIO (1 Cor 15, 25-26; cf. Ap. 20, 13.14)

R.:Cristo há-de reinar, até que Deus tenha posto a todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. * E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
V.: A morte e o abismo devolverão os mortos; a morte e o abismo serão precipitados no lago de fogo.* E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.

SEGUNDA LEITURA
(Sermão 5. Sobre a ressurreição de Cristo, 6-7.9: PG 89, 1358-1359. 1361-1362) (Sec.VI) Cristo transformará o nosso corpo corruptível

Dos Sermões de Santo Anastásio, bispo de Antioquia

Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Mas Deus não é Deus dos mortos mas dos vivos. Portanto, os mortos, sobre quem domina Aquele que voltou à vida, já não são mortos mas vivos; domina sobre eles a vida, para que vivam sem jamais recear a morte, tal como Cristo ressuscitou dos mortos e não morrerá jamais.
Assim, ressuscitados e libertos da corrupção, não tornarão a sofrer a morte, mas hão-de participar da ressurreição de Cristo, como Cristo participou da morte que sofreram. Cristo não desceu à terra senão para quebrar as portas de bronze e despedaçar as trancas de ferro, que desde o início prendiam o homem, e para nos atrair a Si, livrando da corrupção a nossa vida e convertendo em liberdade a nossa escravidão.
E se este desígnio divino nos parece ainda incomple-tamente realizado – pois os homens continuam a morrer e os corpos a dissolverem-se na corrupção – ninguém veja nisso qualquer obstáculo para a fé. De facto, já recebemos o penhor de todos os bens prometidos, porque, mediante as primícias da nossa natureza que Cristo elevou consigo ao mais alto dos Céus, estamos já sentados com Ele nas alturas, como diz São Paulo: Ressuscitou-nos com Cristo e com Ele nos fez sentar no alto dos Céus.
No entanto, havemos de alcançar a consumação perfeita, quando vier o tempo predestinado pelo Pai; então deixaremos de ser crianças e chegaremos à medida do homem perfeito. Assim aprouve ao Pai dos séculos, para que o dom concedido fosse estável e não voltasse a ser precário por causa da insensatez pueril do nosso coração.
Não é necessário demonstrar a ressurreição espiritual do Corpo do Senhor, uma vez que São Paulo, falando da ressurreição dos corpos, afirma claramente: Semeia-se um corpo animal e ressuscita um corpo espiritual; quer dizer, ressuscita transfigurado como o de Cristo, que nos precedeu com a sua gloriosa transfiguração. O Apóstolo sabia muito bem o que dizia ao explicar a sorte que espera toda a humanidade, graças à acção de Cristo, que transformará o nosso corpo miserável para o tornar semelhante ao seu Corpo glorioso.
Se, portanto, a transfiguração consiste em que o corpo se torne espiritual, isso significa que se tornará semelhante ao Corpo glorioso de Cristo, que ressuscitou com um corpo espiritual: aquele mesmo corpo que foi semeado na ignomínia transforma-se em corpo glorioso.
Por este motivo, tendo Cristo elevado para junto do Pai as primícias da nossa natureza, está pronto a elevar consigo todo o universo, como prometeu ao dizer: quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a Mim.

RESPONSÓRIO (Jo 5, 28-29, 1 Cor 15, 52)

R.: Todos os que estão no sepulcro hão-de ouvir a voz do Filho de Deus:* Os que tiverem feito boas obras irão para a ressurreição dos vivos, e os que tiverem praticado más acções, para a ressurreição dos condenados.
V.: Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final, os mortos ressuscitarão.* Os que tiverem feito boas obras irão para a ressurreição dos vivos, e os que tiverem praticado más acções, para a ressurreição dos condenados.

ORAÇÃO

Pai Santo, que, pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei ao defunto
.. [ NOME do defunto ]… ,
que, liberto desta vida mortal, possa contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, que convosco vive e reina pelos séculos dos séculos. Amen.

BENÇÃO FINAL

O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal, e nos conduza à vida eterna. Amen.

Paróquia de Nossa Senhora do Cabo – Rede de relações fraternas

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