Este é o meu Filho

Reflexão à Liturgia da Palavra
na Festa do Baptismo do Senhor

O Baptismo do Senhor inaugura o mistério da sua vida pública. A Palavra de Deus, que no silêncio crescia, vai abrir-se e frutificar. O Baptismo de Jesus é o resumo e o programa da sua missão apostólica. Desde o princípio nos aponta o desfecho pascal da morte e ressurreição. Com o Baptismo de Jesus, ficou preparado o Baptismo cristão, directamente instituído por Jesus Cristo. 

A primeira leitura, respingada da Profecia de Isaías, 42, 1-4.6-7, relata que Deus escolheu para seu povo, o seu eleito, Jesus Cristo, depositando n’Ele o seu espírito de justiça e de paz, com a missão específica de levar a justiça e a paz às nações e libertar os oprimidos. Este trecho de Isaías, referindo-se a Jesus, diz: “Eis o meu servo”. 

No Jordão o Santo “fez-se pecado”, assumindo a nossa condição de pecadores, responsabilizando-se, perante o Pai, pelos pecados do mundo. Mistério de aniquilamento e humilhação. Esvaziou-se dos atributos da divindade e assumiu a condição de Servo, aceitando a humilhação de parecer-se comigo, entrando na fila dos pecadores. Quis fazer-se solidário com o homem, identificar-se com ele na mesma pobreza e destino. Cristo meteu-se dentro da nossa condição humana e será dali, de dentro de nós, que Ele actua e realiza a salvação.

O Salmo Responsorial, Salmo 28 (29), 1a2.3ac-4.3b.9b-10, narra que o Senhor desce às águas para nos fazer ressurgir pessoas novas. Cantemos a glória de Deus que se reflecte em Cristo e em cada cristão.

A segunda leitura, do Livro dos Actos dos Apóstolos 10, 34-38, nos lembra que Deus não faz descriminação de pessoas, desde que O amem e pratiquem a justiça. Foi esta a mensagem que Jesus veio trazer após o seu Baptismo. Pelo Baptismo todos somos chamados a incorporar-nos em Cristo, fortalecidos pelo Espírito do Senhor.

O Evangelho de S. Lucas, 3. 15-16.21-22, mostra-nos que Jesus quer cumprir totalmente a vontade do Pai, tornando-se solidário com a humanidade pecadora. Submete-se pois ao Baptismo de penitência de João, num gesto de humildade. O Pai, porém, proclama que Ele é seu Filho. “Baptizar-vos-á em fogo” – refere o Evangelho. O Baptismo de Jesus é antecipação e figura da sua morte e ressurreição. Das nascentes da água viva surgirá a vida nova. Lavados no sangue, surgiremos novas criaturas, consortes e participantes da mesma natureza divina. Por este sinal de arrependimento reconcilia com o Pai a humanidade pecadora, feito Cordeiro inocente para tirar o pecado do mundo. Pela sua humilhação aceita a missão de Servo de Javé, para lavar os nossos pecados num Baptismo de sangue. Entre dois Baptismos decorre e se resume toda a vida de Jesus.

Em resposta ao aniquilamento de humilhação de Jesus, Deus exaltou o seu Filho. “Tu és o meu Filho muito amado”. O Pai e o Espírito Santo dão testemunho de Jesus. Pela voz do Pai, Jesus é proclamado Filho de Deus, identificado com Ele na mesma essência e na mesma obra. Na hora da humilhação, o Pai revela-se glorificando o seu Filho, não para O livrar do fracasso, mas para O confirmar na humilhação que exalta. O Espírito Santo desce sobre Jesus, sagrando-O como Messias, ungindo-O de fortaleza e confirmando-O na sua missão salvadora (2.ª leitura). Como no princípio, o Espírito Santo paira sobre as águas para inaugurar em Cristo, a nova criação. (Livro do Génesis 1,2) 

O Baptismo do Senhor é revelação do mistério da Trindade e evocação do nosso Baptismo. Também nós somos filhos muito amados, em quem o Pai se compraz, reconhecendo-nos filhos no seu Filho. Também o Espírito Santo desceu sobre nós e nos consagrou para a missão de continuarmos no mundo a mesma obra de Cristo. Fomos baptizados no Espírito Santo e no fogo. Mas, como Cristo, também nós temos de ser baptizados num Baptismo de sangue, em renúncias e humilhações e morrer todos os dias. A humilhação é o rito sagrado, o lugar do encontro, onde Deus se revela e faz crescer em nós o sentimento de filhos. Vai connosco o Espírito Santo que nos ensina a dizer: Pai. 

Jesus que nos salvou, não pelos nossos méritos, mas para pôr em prática a imensa bondade do Pai, nos torne misericordiosos para com todos. A Virgem Maria, Mãe de misericórdia, seja a nossa guia e nosso modelo, para melhor cumprirmos as promessas do nosso Baptismo.

Diácono António Figueiredo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s