Uma nova igreja? Para quê?

Benção da pedra angular, a 9 de abril de 1994, entidades e fiéis.

[Este é o terceiro artigo do Padre Manuel Martins, que republicamos por ocasião do 25º aniversário da dedicação da nossa igreja paroquial. Publicação original a 20 de outubro de 1996.]

artigo do Padre Manuel Martins
(de 20 de outubro de 1996)

Entre os edifícios do complexo Social e Paroquial de Linda -a-Velha, eleva-se majestosa e altaneira, como Lua cheia rasgando apressadamente as nuvens em salpiques de luz, uma torre. É o sinal que ali existe uma Igreja. 

O Salmista ao passar em frente escreveu: “Eis a mora Deus com os homens”. É exactamente este o símbolo desta construção. Ao longo da História da Salvação Deus revelou-se o Pai de todos os homens. A todos deu a possibilidade da salvação e da felicidade plenas. Por isso os convida constantemente para a Sua Casa. para a Sua Mesa. E o homem que reconhece e aceita o convite exclama: “Abris. Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome”.

A Igreja, enquanto Povo de Deus, nestes dois mil anos de cristianismo, ensinou a Boa Nova. Mas aparece também como inspiradora e impulsionadora da cultura e da arte. A pintura, a escultura, a arquitectura, a literatura, a poesia e a música desabrocharam na Igreja ou à sombra da Igreja. Estas realidades não são coisas só de outros países. Viajando por este Portugal fora, constatamos que 80% do que ainda existe de artístico é de inspiração cristã ou tem a marca do cristianismo.

Voltando à Igreja, no seu duplo aspecto de Templo e de Povo de Deus, a sua missão continua a ser a mesma de Jesus Cristo: levar a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem, a salvação aos pobres e a Boa Nova a todos os povos.

Mais uma vez salta fora a pergunta: para quê uma Igreja? Não se podia com esse dinheiro ter construído casas para os pobres? Seria bem verdade se tal pergunta não tivesse sido interceptada por um corte de corrente.

Seguindo esta lógica de ideias não adianta pensar nos pobres, fazer casas para os pobres etc.. se antes não pensarmos no Pai dos pobres. Aquele que nos dá o pão de cada dia e também uma casa para o pobre. Tudo o resto vem por acréscimo.

Por outras palavras: sem a Igreja, Povo de Deus, animada pelo Espírito Santo, o ser humano não encontra o caminho que eleva o espírito para a Fonte de todo o Bem, para Aquele que é Amor. Perde-se entre as criaturas. Deixa de ter a Estrela Polar. Não encontra a razão de ser da sua existência. Não sabe de onde veio. o que anda aqui a fazer, nem para onde vai. Com o espírito embotado pela matéria passa a viver no vazio… Não sabe mais amar. Torna-se infeliz porque não ama nem é amado. E mais nenhuma criatura pode preencher a sua capacidade infinita de ser amado. “Criaste-nos para Ti. Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansa em Ti”. (Santo Agostinho)

Ciente deste drama do homem, a Igreja continua a educar para os valores humanos e espirituais. Ela é defensora da liberdade, da justiça, da verdade, do progresso, do direito, da paz e do amor…

Sabemos todos muito bem que a falta de educação para os valores e para o reconhecimento do Supremo Criador muda o rosto do homem. Converte-o num monstro feroz para o outro homem. Ou não será exactamente isto que se tem verificado e vivido nos nosso dias e em todas as guerras deste século?

E então? Nesta sociedade, onde reina o materialismo desenfreado, o egoísmo atroz, a libertinagem e as diversas formas de injustiça e de opressão, não será urgente e necessária a presença da Igreja? Ela é a luz que brilha nas trevas, que alimenta a esperança e diz aos homens escravos das suas paixões: no fim do túnel há oxigénio, há uma saída para a liberdade”.

A grande multidão dos verdadeiros cristãos, que amam o próximo como a si mesmos e amam a Deus acima de tudo, tem sido obreiros incansáveis da paz. Continuam a semear a justiça, a bondade e o amor por todo o mundo. E no serviço voluntário da Assistência Social são sempre os primeiros. Das três mil obras sociais existentes no País, 4/5 são da Igreja Católica e das Misericórdias. Estes cristãos vivem e ensinam que a justiça, a paz, o progresso e a liberdade têm uma e a mesma linguagem – a do amor.

Padre Manuel Martins (20-10-1996)

Um pensamento sobre “Uma nova igreja? Para quê?

  1. Bem haja por divulgar estas memórias desconhecidas para os paroquianos mais novos.

    A quinta, 21/10/2021, 19:12, Paróquia de Nossa Senhora do Cabo de Linda-a-Velha escreveu:

    > Padre Diamantino Faustino publicou: ” Benção da pedra angular, a 9 de > abril de 1994, entidades e fiéis. [Este é o terceiro artigo do Padre Manuel > Martins, que republicamos por ocasião do 25º aniversário da dedicação da > nossa igreja paroquial. Publicação original a 20 de outubro de 1996.] ” > Responda a este artigo, respondendo acima desta linha > Novo artigo em *Paróquia de Nossa Senhora do Cabo de Linda-a-Velha* > Uma nova > igreja? Para quê? > por > Padre Diamantino Faustino > > > *Benção > da pedra angular, a 9 de abril de 1994, entidades e fiéis.* > > *[Este é o terceiro artigo do Padre Manuel Martins, que republicamos por > ocasião do 25º aniversário da dedicação da nossa igreja paroquial. > Publicação original a 20 de outubro de 1996.]* > > > *artigo do Padre Manuel Martins(de 20 de outubro de 1996)* > > Entre os edifícios do complexo Social e Paroquial de Linda -a-Velha, > eleva-se majestosa e altaneira, como Lua cheia rasgando apressadamente as > nuvens em salpiques de luz, uma torre. É o sinal que ali existe uma Igreja. > > O Salmista ao passar

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