Fim das festas de Verão, mas nunca do seu espírito

23.8.2020

Senhora d’Agonia – procissão marítima – Vinana do Castelo

Todos sabemos que durante a época de Verão, as aldeias e vilas preparam-se para as suas grandes festas cheias de tradição e animação, recebendo e mostrando aos seus visitantes o orgulho que têm pela sua terra onde nasceram e viveram. Mas este ano com a pandemia do Covid-19 muitos destes planos tiveram que ser cancelados.
No entanto, Viana do Castelo não desistiu de cumprir os festejos da Romaria d´Agonia. Não os levando para a rua pela primeira em 248 anos, decidiu celebrar em formato digital, através da rádio, da televisão e de meios audiovisuais e tecnológicos. Apenas o dia 20 de Agosto, dedicado à padroeira dos homens do mar, será celebrado presencialmente, na igreja de Nossa Senhora d´Agonia, mas com certas limitações e com as medidas de prevenção ao Covid-19.

De acordo com os dados históricos apontados na investigação realizada por Francisco Sampaio, a Romaria de Nossa Senhora d’Agonia é considerada uma das principais festividades do país, remontando as suas origens a uma via-sacra referenciada em documentos do século XV. A devoção surgiu em 1751, quando a imagem de Nossa Senhora entrou na capela, o que fez aumentar de forma considerável o número de promessas e ofertas. A igreja dedicada à Senhora d’Agonia começou a ser construída em 1774 e, nove anos mais tarde, a Sagrada Congregação dos Ritos concedeu licença para que todos os anos pudesse ser celebrada naquele local, a 20 de agosto, uma missa solene, dia que ainda hoje é feriado municipal. Nos moldes próximos dos atuais, a festa surgiu em 1823 e o primeiro desfile do traje surgiu em 1906. Dois anos depois o programa incluiu, pela primeira vez, a parada agrícola, antecessora do atual cortejo etnográfico. Em 1968 realizou-se a primeira Procissão ao Mar, atualmente um dos números mais emblemáticos, com centenas de embarcações de pesca a levarem a imagem da padroeira ao mar e ao rio. O desfile da mordomia, é outro dos números únicos da romaria, em que os diferentes trajes das freguesias de Viana se encontram e mostram, de uma só vez à cidade. Trata-se de uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações. Não faltam também os fatos de noiva mais sóbrios, de cor preta. Neste número algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” (termo minhoto que significa orgulho) e outrora o poder financeiro das famílias.

Por isso como se pode ver, muitas destas festas carregam grande tradição portuguesa que só é vivida realmente desta forma. Mesmo com as várias alternativas que se criaram para que a Romaria não deixasse de ser celebrada, a Arte Em Movimento (AEM), academia de dança de Viana do Castelo, partilhou nas redes sociais o seu mais recente projeto, “Stand Up” que reinventa a tradição para mostrar que o povo vianense “sabe realmente manter-se de pé, com garra, unido e forte, mesmo quando, pela primeira vez em 248 anos, não vai sair à rua para viver a Romaria d’Agonia”. O vídeo protagonizado por bailarinos da AEM e de grupos folclóricos de Castelo de Neiva e Vila Franca soma milhares de visualizações e centenas de partilhas nas redes sociais. 

O vídeo pode ser visto aqui:

https://www.publico.pt/2020/08/19/p3/video/mesmo-com-as-romarias-atras-de-uma-cortina-esta-escola-dancou-por-viana-e-por-todos-20200819-094150

Joana Brígida

artigo preparado por
Joana Brígida

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