Cristo Sacerdote


Não é muito habitual vermos Jesus como Sacerdote. Vemo-l’O como Mestre, ensinando e fazendo milagres; vemo-l’O Rei, aclamado na sua entrada messiânica em Jerusalém; vemo-l’O como Servo durante a Ceia, no lava-pés; vemo-l’O na Cruz como Cordeiro pascal e Vítima inocente; vemo-l’O glorioso na sua ressurreição como vencedor da morte e Senhor a quem foi dado todo o poder no Céu e na Terra… Mas onde e quando podemos ver Jesus como Sacerdote?
Enquanto esteve neste mundo era evidente a sua não pertença à classe sacerdotal. No templo de Jerusalém nunca entrou no pátio dos sacerdotes e muito menos no Santo dos Santos onde apenas o sumo-sacerdote entrava, uma vez ao ano, no dia da expiação. Mas Jesus falava da sua morte com termos próprios do culto, como sacrifício de expiação, como baptismo, como sacrifício da aliança, e os primeiros cristãos, como vemos na Carta aos Hebreus, reconheceram a sublimidade do seu sacerdócio e a sua surpreendente novidade.
Ao contemplarmos Jesus presidindo na Ceia ao banquete da nova Páscoa e elevando ao Pai a oração sacerdotal podemos reconhecer alguns traços do seu sacerdócio. Mas é sobretudo na Cruz, ao ser levantado entre o Céu e a Terra e ao oferecer-Se ao Pai que se manifesta plenamente como sacerdote. A Carta aos Hebreus convida-nos a contemplá-l’O coroado de honra e de glória a exercer no Céu o seu sacerdócio, intercedendo por nós junto do Pai.
É à luz da sua glorificação como Rei e Senhor que vemos Jesus como Sacerdote no Céu, na Cruz e na Ceia. Na Ceia, como orante e cabeça da Igreja; na Cruz como mediador e Sumo-Sacerdote que entra no santuário celeste com o seu próprio sangue, expiando os pecados do mundo e franqueando-nos o acesso à vida eterna; no Céu, é o nosso intercessor junto do Pai.
Mestre, Rei, Servo, Senhor, Sacerdote: tudo isto se pode resumir na palavra Pastor. Ele saiu do Pai e veio ao mundo. E depois de realizar a sua missão deixou o mundo e voltou para o Pai (cf. Jo 16, 28). Saindo do Pai como Filho Unigénito veio ao mundo à procura de irmãos que com Ele queiram adorar e amar o Pai, ou como Bom Pastor que procura a ovelha perdida. Ele é o Mestre que nos revela o Pai e faz-Se Servo obediente até à morte e morte de cruz para nos salvar da escravidão do pecado e da morte, qual Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Regressando ao Pai, Jesus revela-Se plenamente como Sacerdote e Pastor que reconduz ao Pai a Humanidade regenerada no Espírito Santo.
Ao reconhecermos Jesus como Rei e Senhor, aceitamo-l’O como Pastor. Contemplando-O como Sacerdote tornamo-nos sacerdotes com Ele e n’Ele. Este ano sacerdotal é um tempo oportuno para conhecermos, amarmos e praticarmos o sacerdócio cristão que é o mesmo sacerdócio de Cristo.
A imagem de Cristo Sacerdote, que neste ano visita as nossas paróquias, apresenta-nos Jesus Ressuscitado que aparece no meio dos discípulos e lhes diz: a paz esteja convosco! Está revestido de uma túnica branca e cingido com um cinto de ouro, como é descrito na visão inicial do livro do Apocalipse (1, 12-16). A fivela em forma de oito significa a vida eterna, e lembra-nos que, ressuscitado de entre os mortos, Ele vive e é Sacerdote para sempre. A coroa que traz na cabeça simboliza a sua realeza. O seu rosto tanto é majestoso como repassado de mansidão e de humildade. As suas mãos estão vazias e marcadas pelas chagas dos cravos. Com a esquerda indica-nos o seu coração cheio de amor, e abençoa-nos com a direita. A sua presença é afirmativa, mas não se impõe. O seu sacerdócio é filial: está em nome do Pai, submisso ao Pai e cheio do Espírito Santo que deseja comunicar-nos, e parece dizer-nos: vinde a Mim, e Eu vos levarei ao Pai porque ninguém vai ao Pai senão por Mim! Vinde e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração! Aceitai comigo a vossa cruz e aprendei a oferecer ao Pai as vossas vidas!
Jesus diz-nos ainda: todo o discípulo bem formado será como o seu Mestre (cf. Lc 6, 40). Para que sejamos esses discípulos bem formados exerçamos na nossa vida o seu sacerdócio. Cultivemos a comunhão com Ele e tornemo-nos membros vivos do seu Corpo que é a Igreja. Unidos a Cristo pelo seu Espírito, adoremos o Pai em espírito e verdade, em cada dia. Com Ele, ofereçamo-nos a nós mesmos ao Pai e intercedamos pela Igreja e pelo mundo. Pratiquemos o culto espiritual vivendo como filhos de Deus e dando bom testemunho do Evangelho com palavras e obras.
Jesus veio para que o mundo tenha vida em abundância. Na medida em que exercemos o seu sacerdócio tornamo-nos ícones vivos de Cristo Sacerdote, abrimos no mundo a Fonte da vida eterna e renovamos-lhe o convite do profeta Isaías: vós que tendes sede vinde à nascente das águas!

Cón. João Marcos

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