Para onde?

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PALAVRA DOMINICAL

Quando lemos no Evangelho Jesus a chamar, surpreende-nos sempre a brevidade do chamamento: “Segue-Me”; “Vem ver”; “Vem comigo, e farei de ti pescador de homens”. Jesus chama com poucas palavras.

Sobretudo quando Jesus diz apenas ‘segue-me’, fica sempre na mente a contra resposta ‘para onde?’.

Os evangelhos deixam-nos, assim, a imaginar como aquele breve chamamento de Jesus teria sido forte e cativante.

Consideramos também que não foi assim do nada. Aqueles homens já teriam ouvido falar de Jesus. Já o teriam escutado pessoalmente várias vezes. Teriam até presenciado algum dos seus milagres.

Não podemos deixar de ter ainda em conta que Jesus ‘conhecia o coração dos homens’ e não as aparências. Ao chamar, Jesus já conhecia as disposições interiores, sabia quem chamava, e esperava ter a resposta positiva.

Hoje é o chamamento de São Mateus. Viria a ser um dos Doze, e autor de um dos evangelhos.

Ao ouvir aquele chamamento incisivo – ‘segue-me’ -, terá Mateus pensado: “Para onde? Já ouvi este homem e vi os seus milagres, mas para onde quer Ele levar-me? Segui-l’O? Mas ele é profeta e não tem casa própria!”.

A decisão final terá sido motivada por um segundo pensamento, mais forte: “não importa para onde, mas se for com Ele, segui-l’O-ei sempre”.

Aceitemos o convite para limpar as nossas precauções. Estamos habituados a ter seguros para tudo. E nas coisas que se referem a este mundo que passa, é muito útil ter seguranças. Mas aqui, nas coisas do espírito, nas questões da fé e da vida eterna, temos de nos desarmar e confiar na Pessoa que nos chama. Toda a segurança passa a estar n’Ele.

Para nós que já crescemos na Igreja, que já nos habituamos a estar ‘em casa d’Ele’, podemos achar supérflua esta questão. Mas não é assim. Mantêm-se a exigência. Como respondo ao convite? Como renovo o meu sim? Como mantenho a decisão de seguir Jesus? Como reforço a confiança total n’Ele?

(Lembremos aqui que os próprios evangelhos registam aqueles que deixavam de seguir Jesus, fosse por discordar, fosse simplesmente por cansaço e desconforto. Pode acontecer-nos o mesmo…)

A nossa resposta seja igual à dos Doze. Quando o próprio Jesus inquiriu da vontade de estes O seguirem, eles responderam: “A quem iremos, Senhor”.

Se é para ir com Jesus, seja para onde for, seja por que caminhos, seja em que dificuldades, dizemos sim: “Sigo-te Senhor, porque és Tu quem chama”.