
PALAVRA DOMINICAL
Domingo de Pentecostes
O Espírito Santo é a nova personagem, que toma a liderança dos discípulos a partir do Pentecostes.
Já se tinha falado do Espírito Santo na vida pública de Jesus, mas muito escassamente, e relacionado apenas com Jesus.
Depois, na última ceia, Jesus tinha prometido o envio do “Espírito paráclito“, o “Espírito da verdade“.
No próprio dia da ressurreição, a oferta de Jesus aos seus discípulos é o Espírito, soprando sobre eles e proclamando: “recebei o Espírito Santo“. E especifica para que serve o Espírito Santo: “àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes serão retidos“.
Finalmente, no Pentecostes, o Espírito Santo é dado como força para anunciar. Não há limites de línguas, nem de culturas, para “proclamar as maravilhas de Deus“.
Reconhecemos aqui a plenitude do Dom do Espírito Santo. É o Espírito que dá o poder de perdoar, é o Espírito que impele a anunciar. A plenitude encontra-se nestes dois pólos, quer o dos sacramentos, quer o da pregação. Assim se define o lugar e a missão da Igreja.
O Espírito Santo é, portanto, o novo protagonista. É o Espírito Santo que garante a continuidade do poder e da missão de Jesus. Para isso se constitui a Igreja. É nela que o Espírito habita, para concretizar o anúncio do evangelho, o convite à conversão, e o poder de perdoar.
A conversão e a reconciliação são a grande obra do Espírito Santo através da sua Igreja. Vemos como o mundo precisa tanto desta força, para encontrar a paz universal.
Daqui entendemos a nossa posição enquanto discípulos: a alegria de acreditarmos, de termos o Dom da Fé em Cristo; a missão de o anunciar sob a inspiração do Espírito Santo; o trabalho de oferecer o poder do perdão e da reconciliação, para que haja fraternidade e paz.
Precisamos de voltar sempre a este núcleo central da nossa missão: chamar os homens à conversão, convidar cada pessoa.
No nosso tempo sofremos a grande tentação das ideologias sociológicas. Estas pretendem salvar o homem através de leis, de sistemas sociais, que acabam por escravizar ainda mais as pessoas. É a permanente tentação do fariseísmo: impôr a santidade a partir das leis; impôr a obediência a partir da manipulação e da coação. Pior ainda no nosso tempo a coação subtil do entretenimento; dos filmes e séries usados como manipuladores de comportamentos: apresentam como bons, certos comportamentos maus e perversos.
A obra de Cristo não é feita a partir de leis, nem de sistemas sociais, nem de coação inconsciente. Jesus apresenta a verdade directamente, para chegar ao coração e à razão de cada pessoa. É este o caminho da conversão que leva à transformação interior dos corações.
É a partir deste homem novo que o mundo se transforma. São pessoas novas que podem criar relações pessoais e sociais renovadas. São corações bons que podem realizar obras de bem. É esta a obra do Espírito, a missão da Igreja e a nossa tarefa.
Graças a Deus que nos revela estas coisas e nos dá todos os dons!
Vinde, Espírito Santo!


