“O Espírito da Verdade vos ensinará”

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DOMINGO VI DO TEMPO DA PÁSCOA – ANO A

O Espírito Santo é prometido por Jesus, como lemos no evangelho deste Domingo. Na última Ceia, encontramos por cinco vezes esta promessa.

Recordemos primeiro que esta promessa está na linha do que o Antigo Testamento já profetizava, pelo profeta Joel: “naqueles dias derramarei o meu Espírito sobre todo o povo“. E pelo profeta Ezequiel: “infundirei em vós o meu Espírito e revivereis, dar-vos-ei um coração novo e um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne“.

Jesus fala do Espírito com dois atributos: o “Espírito Paráclito” e o “Espírito da Verdade“. 

A palavra Paráclito é difícil de traduzir. Literalmente significa ‘advogado’, e tem o sentido de ser Aquele que ‘está ao lado’, que ‘permanece junto’, que ‘defende e orienta’.

A expressão “Espírito da Verdade” é explicada por Jesus: refere-se a ‘recordar tudo’ o que Jesus tinha ensinado aos discípulos, e a orientá-los para uma compreensão cada vez maior da Verdade de Cristo: “o Espírito conduzir-vos-á à Verdade plena“.

Esta presença do Espírito é também garantia de que os apóstolos terão força para dar testemunho da mensagem de Cristo.

Resumindo, Jesus promete, a presença do Espírito Santo, para que os discípulos se sintam acompanhados, compreendam todas as coisas acerca da fé, e tenham força para dar testemunho.

Esta assistência do Espírito Santo é a base da firmeza da Igreja. Reparemos como no Credo, a parte em que dizemos “creio na Igreja” está incluída na secção em que dizemos “creio no Espírito Santo”. Acreditamos na Igreja, porque é o Espírito Santo que a ilumina e a guia ao longo dos séculos. Nenhuma fraqueza humana, ou maldade, ou pecado pessoais podem eliminar esta presença que guia toda a Igreja. Aliás vemos isso mesmo nos próprios escritos do novo testamento: seja na negação de São Pedro, seja nos desentendimentos entre São Pedro e São Paulo. Essas dificuldades pessoais nunca puseram em causa a presença e acção do Espírito Santo na totalidade da Igreja de Cristo.

(( É neste sentido que a Igreja é comunhão. Por isso, as decisões precisam de ser tomadas em oração e em comunidade – ou sinodalidade. Por isso, nada na Igreja se define por uma opinião pessoal ou um falso carisma de protagonismo e vaidade. A longo prazo, é sempre o Espírito Santo o protagonista. Neste sentido, a “infalibilidade do Santo Padre” é fruto e garantia desta infalibilidade da Igreja assistida pelo Espírito Santo. ))

Daqui então compreendemos a primeira leitura. Os Apóstolos vão visitar uma nova comunidade cristã e rezam para que recebam o Espírito Santo, impondo-lhes as mãos. Reparemos como está aqui já a estrutura da nossa celebração do Crisma: o Bispo reza pelos crismandos, e em seguida impõe as mãos sobre Eles, concluindo depois com a unção do óleo do Crisma.

A segunda leitura, recorda-nos os frutos do Espírito Santo na vida do crente. Há uma nova maneira de viver. A  leitura diz de uma forma muito bela: “venerai Cristo em vossos corações, prontos sempre a responder sobre a razão da vossa esperança“. Primeiro, notemos que o Baptismo e o Crisma têm um objectivo de conversão pessoal. Só servem para quem quer realmente ter “um coração novo e um Espírito novo”, a fim de viver à maneira de Jesus. Segundo, a leitura segue falando dos sofrimentos de Cristo, das perseguições e calúnias aos seus discípulos. Havemos de contar sempre com isto: não somos cristãos para que todos ‘gostem de nós’, mas sim para vivermos uma vida nova, na esperança da vida eterna, pela ressurreição. Esta vida é diferente da vida à maneira do mundo, e é por isso que o mundo tantas vezes odeia os cristãos, como o próprio Jesus já tinha predito. Mas com a força do Espírito, cumprem-se em nós as palavras de Jesus: “não tenhais medo, Eu venci o mundo!


Padre Diamantino