
PALAVRA DOMINICAL
“Não sabemos. Mostra-nos!”
As perguntas dos discípulos nos evangelhos talvez não sejam muitas, mas são significativas. Além disso, deixam-nos saborear um pouco o ambiente que se criava entre os discípulos e Jesus nos momentos de pausa, sobretudo à refeição. Perguntavam a Jesus sobre o que Este fazia e dizia.
A passagem evangélica de hoje coloca-nos na última ceia, e na conversa que Jesus aí iniciou, falando da sua partida para o Pai.
O primeiro é Tomé, que se inquieta e diz: “não sabemos para onde vais!” Jesus fala de partida, de viagem, de ausência; Tomé interrompe abruptamente para que Jesus diga tudo de uma vez: para onde vais? e qual é o caminho?
E Jesus responde dizendo: vou para o Pai; sou o caminho. É tudo muito simples, mas também muito novo, e por isso difícil de compreender.
É aqui que Filipe avança com outra pergunta, para finalizar a questão: “basta que nos mostres o Pai!” Filipe pensa certamente que se vir o Pai, tudo ficará claro. O Pai de quem Jesus tanto fala, que Jesus conhece tão bem. “Mostra-nos o Pai“!
E Jesus surpreende ainda mais ao dizer: “quem me vê, vê o Pai.” Parece inacreditável, mas Jesus explica claramente: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim. E posso mostrar isso, porque faço as mesmas obras do Pai”. Estas obras de Jesus que mostram o Pai, Ele mesmo as definiu: “como o Pai me amou, também eu vos amei“.
Olhando para nós mesmos, reconhecemos que tantas vezes estamos na mesma situação dos discípulos: temos muitas perguntas, temos muitas dúvidas, há muitas coisas que não compreendemos.
Quantas vezes a nossa vida nos pareceu sem sentido? Quantas situações nos deixaram desanimados e até desesperados?
Não tenhamos medo de colocar a Jesus as nossas questões, sinceramente. De nos colocarmos a nós mesmos à Luz de Cristo. A oração verdadeira tem de começar sempre pela nossa realidade, pelo que nos vai na alma. É aí que o Senhor nos fala, que toca a nossa realidade dolorosa e incompreendida.
A resposta que vem de Jesus passa sempre pelo amor do Pai: um amor incondicional, um amor mais forte do que a morte, um amor que dá a vida. “Como o Pai me amou também Eu vos amei…” E segue o convite: “permanecei no meu amor“.
Esta permanência íntima no amor do Pai e do Filho é que nos traz sabedoria e paz. Habitarmos na casa do amor divino, estarmos na relação viva de amor eterno. Aqui está a fonte de toda a compreensão e de toda a ciência da vida.
Podemos até chegar ao ponto em que a nossa própria inteligência atinge os seus limites: o que vivemos em Cristo é muito maior do que a nossa capacidade de compreender. Mas tudo faz sentido. Tudo está no seu lugar. Experimentamos o que é estarmos com quem devíamos estar, onde é preciso estar, fazendo o que nos toca fazer.


