Um dos gestos mais significativos de Jesus era o partir do pão. Várias vezes encontramos este gesto de Jesus nos evangelhos: Jesus pegava no pão, dava graças e distribuia-o. Este gesto era tão único e exclusivo de Jesus, que, após a ressurreição, servia de identificação. Apesar de não reconhecerem o Ressuscitado pela aparência, identificavam-no por este gesto. É o que ouvimos aos discípulos de Emáus, no evangelho deste terceiro Domingo da Páscoa: contaram o que tinha acontecido, e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão.
Na primeira comunidade cristã, em Jerusalém, diz-se que os discípulos de reuniam frequentemente para ‘a oração, o ensino dos apóstolos e a fracção do pão’. Estas três dimensões irão constituir o que nós mais tarde se designará por ‘Missa’. Na Missa temos todos estes elementos: as orações do sacerdote e do povo, o ensino apresentado nas leituras e na homilia, a fracção do pão e a comunhão de todos os fiéis.
Porque a Missa tem estes vários elementos, tem também diferentes nomes que sublinham cada um deles. O primeiro já descrevemos, era a fracção do pão, que designa a parte onde repetimos o gesto de Jesus. O segundo refere-se às palavras que acompanhavam esse gesto: Eucaristia, que quer dizer, acção de graças. Por isso podemos dizer que vamos ‘à Eucaristia’ ou que vamos ‘celebrar a Eucaristia’.
A pouco e pouco, todos os ritos e orações foram designados pela palavra Liturgia, que já aparece no Novo Testamento. A palavra Liturgia significa ‘acção feita pelo Povo de Deus, e para benefício desse mesmo Povo’. E assim designamos a Sagrada Liturgia, que é o nome preferido pelas igrejas orientais para a Missa.
As palavras que acompanham o gesto de tomar o pão e parti-lo, pronunciadas pelo sacerdote, são exclusivas da última ceia: “isto é o meu corpo”… “este é o cálice do meu sangue”.
O sacerdote assume aqui uma autêntica personificação do próprio Cristo, que preside à reunião dos discípulos e parte para eles o pão. O sacerdote pronuncia a mesma oração de acção de graças, repete as mesmas palavras da última ceia, e intercede por todos, em nome e em lugar do próprio Cristo.
Todo o Povo tem também a missão sacerdotal de ser Corpo de Cristo que se oferece a si mesmo ao Pai. A Igreja como Corpo de Cristo tem a sua realização sacramental na Eucaristia. Cada fiel diz sim a Deus, e oferece a sua vida com Cristo para sua santificação pessoal e pela salvação do mundo. Como se diz na carta aos Romanos: “oferecei-vos a vós mesmos, como sacrifício espiritual, agradável a Deus”.
Uma nota prática. Para a Missa, o sacerdote já leva o pão partido, porque seria demasiado demorado fraccionar o pão para todos os fiéis presentes numa Missa — são as partículas, que cada fiel recebe ao comungar. Mas há sempre uma hóstia, que o sacerdote ‘toma’ pronunciando as palavras da última ceia, e depois ‘parte’, para repetir o gesto de Jesus.
(note-se como a designação ‘hóstias pequenas’ e ‘hóstia grande’ não é correcta, mas sim ‘partículas’ e ‘hóstia’).
Finalmente: de onde vem a palavra ‘Missa’? Esta palavra vem das últimas palavras pronunciadas na Missa, em latim, e tem um significado de envio. Na despedida final o sacerdote diz: “Ide em paz”, na versão original em Latim diz-se “Ite, missa est.” Temos assim este significado bonito de ‘ir à Missa’, ou seja ‘ir para ser enviado’! A Missa faz-nos missão.


