QUEM É ELE?

Reflexão à Liturgia da Palavra do IV Domingo do Advento – Ano A

A mensagem deste Domingo é o anúncio a José. O Senhor já está perto e faz-se anunciar. Já não são pequenos sinais do Messias, mas é Ele em pessoa que bate à porta. Quem é Ele?

Vivemos hoje um tempo marcado pela instabilidade. Como é importante encontrarmos a tão desejada segurança na vida! Ela é-nos oferecida pela fé n’Aquele que é todo poderoso e nos ama com amor infinito. Feliz de quem n’Ele acredita. É essa fé que nos congrega. Vamos mesmo celebrar, mais uma vez, o nascimento do único Salvador dado por Deus Pai à humanidade. Que a sua Palavra comtribua para o crescimento da nossa fé,a única que nos pode dar segurança na vida.

O trecho do profeta Isaías 7, 10-14, que surge como primeira leitura, anuncia um grande prodígio que Deus fará como sinal de salvação para o povo de Judá: um virgem conceberá um filho, cujo nome será Emanuel, isto é, Deus connosco. Nas encruzilhadas da nossa vida, Maria aparece-nos sempre como sinal de benevolência de Deus para connosco.

No Salmo Responsorial, salmo 23 (24) 1-2.3-4ab.5-6, somos convidados a suplicar a vinda do Senhor com mais intensidade e confiança. É necessário que o coração de cada um de nós se disponha para O receber com todo o amor possível. Ele é o desejado das colinas eternas.

S. Paulo na Epístola aos Romanos 1, 1-7, que nos aparece como segunda leitura, ensina-nos que do nosso encontro com Jesus, deve resultar o testemunho sobre a Sua vida e doutrina. Com que alegria, entusiasmo e sentido de responsabilidade ele o faz. É essa Boa Nova que importa que todos anunciemos a tantos desanimados da vida. “Nascido da descendência de David, segundo a carne”, refere S. Paulo. O Messias prometido é da famíla de David, introduzido nela por José, “esposo de Maria, da qual nasceu Jesus”. No pensamento eterno de Deus, o nome de José andou sempre associado ao nome de Maria para a realização do seu projecto redentor. O sim de José completa e assume o sim de Maria.

O Menino que vai nascer é Filho de Deus e “filho do homem”. Ao encarnar na natureza humana, o Verbo mostrou-se Filho, para fazer em tudo a vontade do Pai. A encarnação de Jesus Cristo é o vértice da história, divinizando o homem, os acontecimentos e a vida. Jesus Cristo vem salvar o homem todo , espalhar sementes do Verbo para fazer de tudo a nova criação.

Com a mensagem do Anjo, as dúvidas e as angústias de S. José transformaram-se em certezas luminosas e verdadeiras fontes de alegria. “Será chamado Emanuel, que quer dizer Deus connosco”. Assim refere a passagem evangélica deste Domingo, do Evangelho segundo S. Mateus 1, 18-24. No anúncio do verdadeiro Emanuel, lembra a primeira leitura, Jesus é Deus connosco. N’Ele Deus está presente e vive no meio de nós. “Estarei contigo” significa que Deus é a nossa força. Agora a força de Deus já não nos chega em figuras ou promessas, mas apareceu em pessoa. Jesus Cristo, Deus encarnado, vive connosco a mesma história, comprometido e solidário nos nossos caminhos. Já não é apenas o Verbo do Pai, mas tornou-se pela sua encarnação, morte e ressurreição o Senhor dos nossos destinos, partilhando connosco a mesma experiência humana. NoVerbo encarnado Deus se fez comunhão. 

“Porás o nome de Jesus” – disse o Anjo a José. Jesus quer dizer “Deus salva”. Jesus vem para salvar, libertando do pecado toda a criatura. Chamam por Ele todas as dores e todas as lágrimas. Esperam a sua vinda todos os cativos do mal e da morte. Em Jesus Cristo, Verbo humanado, o homem expulso do paraíso verá a Deus, face a face, sem cobrir o rosto e morrer. Porque Deus se fez homem, até as realidades terrenas e sensíveis verão a Deus, agora realizadas no seu destino de criaturas. “Toda a carne verá a salvação de Deus”. (S. Lucas 3,6). 

Nesta altura, José confia totalmente em Deus, obedece às palavras do Anjo e recebe Maria. Foi precisamente esta confiança inabalável em Deus que lhe permitiu aceitar uma situação humanamente difícil e incompreensível em certo sentido. Na fé, José compreende que o Menino gerado no ventre de Maria não é seu filho,mas o Filho de Deus, e ele, José, será o seu guardião, assumindo plenamente a sua paternidade humana. O exemplo deste homem manso e sábio exorta-nos a elevar o olhar e a impeli-lo mais além. Trata-se de recuperar a surpreendente lógica de Deus que longe de pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Jesus Cristo e à sua Palavra.

A Virgem Maria e o seu casto esposo José nos ajudem a pôr-nos à escuta de Jesus que vem e que pede para ser acolhido nos nossos projectos e nas nossas escolhas.

Diácono António Figueiredo

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