JÁ É HORA DE ACORDAR

Reflexão à Liturgia da Palavra do Primeiro Domingo do Advento, Ano A

Neste primeiro Domingo do Advento iniciamos um novo ano litúrgico, agora com o Ano A. Nele somos convidados a preparar a vinda do Senhor. Advento é caminhada de esperança, que proclama e completa a esperança de Israel em busca do Messias. A nossa esperança já veio, não temos de esperar outro. Celebramos dois Adventos: Jesus Cristo que já veio e Jesus Cristo que há-de vir. Jesus Cristo que hoje esperamos já está no meio de nós desde a noite de Belém, mas é hoje e em cada dia que a sua vinda se actualia e dá fruto entre nós. Virá segunda vez na glória do último dia, completar todas as vindas da graça, pelas noites da fé e da esperança . Jesus do Advento é já Jesus Cristo ressuscitado.

O Profeta Isaías 2,1-5, na primeira leitura, profetiza acerca do Dia do Senhor. Apesar dos pecados do seu povo e da infeliz situação em que Judá se encontra, o profeta vislumbra um horizonte de esperança pela restauração que vai operar a vinda messiânica e escatológica. Nela está sublinhado lugar central e universal de Sião, «o monte do Senhor», isto é, Jerusalém, figura da Igreja. Esta pequena leitura é um dos mais belos textos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica.

Na cidade Santa de Jerusalém, encontravam os hebreus os resumos das promessas de salvação do Senhor. Por isso, ao dirigirem-se para lá, cantavam o salmo 121, exprimindo a sua alegria por caminharem ao encontro da salvação prometida. A Liturgia propõe para Salmo Responsorial o salmo 121 (122) 1-2.4-5.6-7.8-9.

Na segunda leitura surge a Epístola de S. Paulo aos Romanos 13, 11-14, onde o Apóstolo exorta os fiéis de Roma a prestar atenção ao tempo da salvação em que vivemos. Estamos em tempo de prova, perante a última oportunidade que o Senhor nos oferece para nos salvarmos. Esta verdade de fé, impõe-nos uma conduta de vigilância e generosidade. “Já são horas de acordar”, refere esta leitura de S. Paulo.O Advento convida-nos a ir generosamente ao encontro de Jesus Cristo. Para isso, o Apóstolo traça-nos um caminho de Advento. “Abandonemos as obras das trevas e usemos as armas da luz”. Há em nós injustiças e excessos, discórdias e ciúmes, que impedem Jesus Cristo de nascer. Viver em Advento supõe iluminar e transformar a vida com a luz das boas obras. São as obras do amor que vencem as obras das trevas. A força para o combate vem-nos das armas da luz, que são a fé e a esperança.

“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”, exorta ainda a segunda leitura. D’Ele no vem a luz que ilumina a vida e as nações. A graça de Jesus Cristo é o vestido novo que nos transfigura e identifica com Ele no mesmo ser e agir. Quando Jesus Cristo for vida em nós, toda a carne verá o Salvador. “Caminhemos à luz da fé de Jesus Cristo, ó Casa de Israel”, refere a primeira leitura.

A esperança do Advento é a resposta de Jesus Cristo e da Igreja ao desespero do mundo. O Advento inaugura os tempos de paz anunciados por Isaías na primeira leitura, que vem dar ao cristão uma visão de optimismo que transfigura os acontecimentosn e a vida. Toda a história vai dirigida; Jesus Cristo é o Senhor, o Princípio e o Fim.

Nesta caminhada de salvação, contamos principalmente com a misericórdia do Senhor para a alcançarmos. A leitura evangélica deste Domingo é de S. Mateus 24, 37-44. “Vigiai! … Estai vós também preparados”, exorta o Evangelho. Vigiar é escuta dos passos de Deus que desce ao nosso encontro. Vivemos na expectativa do Senhor que vem pela noite da fé, oculto em névoas. Na graça de todas as coisas, a toda a hora, nasce Jesus Cristo em nossas vidas, envolto em faixas. Só quem estiver vigilante lhe virá abrir a porta e o verá em disfarces de Menino, como qualquer. Vigiar é gesto de esperança, armar a tenda em lugar alto, sentinela das coisas invisíveis. Pelos espaços da vida andam os nossos desejos a crescer, alimentados por uma promessa que não engana.

Vigiar ém fazer-se disponível para as horas de Deus e dos homens, atitude de serviço e doação. Tenho de despojar-me de muita coisa que distrai, para estar atento ao único necessário. Vigiar é sabedoria evangélica, atitude radical do cristão perante o mundo e a vida. Exige audácia e escuta permanente. Não é abandono ou alienação, mas compromisso e plenitude. “Vigilantes na fé, ousamos esperar” (Prefácio).

O Advento é a alegre esperança, o alegre contentamento. Sempre a caminho, sempre em demanda. Andamos a preparar a vinda do grande Rei, implantando em nós e nos outros a realeza de Jesus Cristo. O cristão, com a sua vida, é Advento de Jesus Cristo entre os homens. Junto da bem-aventurada Virgem Santa Maria, por uma devoção filial, aprenderemos a esperar e preparar a vinda ao mundo d’Aquele que vem para nos salvar.

Diácono António Figueiredo

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