ONDE ESTÃO OS OUTROS NOVE?

Meditando a Liturgia da Palavra do XXVIII Domingo do Tempo Comum, Ano C

Jesus veio salvar todos os homens, porque “a Palavra de Deus não está encadeada” (segunda leitura). Todos leprosos, todos pecadores e estrangeiros. O profeta pode ser acorrentado, mas a Palavra, não. Vive-se por ela, morre-se por ela. Toda a vida interior é obediência à Palavra, que sara e transfigura.

A Eucaristia é acção de graças; é momento para pôr em prática o convite que nos é proposto no Salmo Responsorial: «cantai ao Senhor … pelas maravilhas que Ele operou. Sim! É verdadeiramente nosso dever é nossa salvação voltar à presença do Senhor para dar graças, glorificar e bendizer o Senhor da vida, o único Senhor a quem o coração humano se pode entregar. Pedindo ao Senhor que a sua “graça proceda e acomopanhe sempre as nossas acções” (oração Colecta da Missa deste Domingo), coloquemo-nos neste movimento de acção de graças ao Pai, por seu Filho Jesus Cristo, deixando-nos purificar pela sua misericórdia infinita.

A primeira e a terceira leitura deste Domingo, põem, lado a lado, dois estrangeiros que mostram ter uma alma mais próxima de Deus do que muitos do seu povo.. O segundo livro dos Reis 5, 14-17, apresenta-nos o sírio Naamã que vai ter com o profeta Eliseu, pedindo para ser curado da lepra. Guiado pela palavra do profeta e mergulhando no rio Jordão, não só é curado da lepra do corpo, mas também da lepra da alma. Do paganismo passou à fé no Deus únicom e verdadeiro.

Elevemos com toda a criação: mar e terra, montes e colinas, a partir do santuário do nosso coração, o hino coral e universal que é o belo salmo 97 (98), 2-4, Salmo Responsorial deste Domingo.

Deus é fiel e não dá o dito pelo não dito. A Sua Palavra anda sempre à solta e mais dia menos dia há-de encontrar-nos para nos salvar. A segunda Epístola de S. Paulio a Timóteo 2, 8-13, escolhida pela liturgia para segunda leitura, é um verdadeiro hino no qual se proclama o sentido último da vida cristã, vida que encontra todo o sentido na união ao Senhor Jesus, no seu mistério pascal.

S. Lucas 17,11-19, apresentya-nos a cura à distância de dez leprosos, dos quais, apenas um, samaritano, volta para agradecer. E porque foi o único que reconheceu, não só o bem recebido, mas também o intermediário escolhido por Deus para comunicar os seus dons, Jesus Cristo, o verdadeiro Sacerdote, fica salvo.

“No caminho ficaram limpos da lepra” – assim nos relata o Evangelho. Para Naamã, a condição era lavar-se sete vezes; para os dez leprosos foi o ir mostrar-se aos sacerdotes. E tanto estes como aquele ficaram curados, porque obedeceram à palavra do Mestre e se puseram a caminho. Não há proporção entre fé e sinais. Pelos caminhos normais, em coisas insignificantes, o divino acontece. A fé é uma palavra nova, um sentido diferente, que transforma gestos banais em caminhos de libertação e rios que purificam para a vida eterna. A grandeza da fé está em caminhar, como se visse e aceitar o risco de ir mostrar-se. E se eu não der testemunho? E se os outros não viram os sinais?

“Onde estão os outros nove?” – perguntou Jesus. Há omissões e ausências que ferem o coração de Deus. Nos planos de Deus sou único e insubstituível. Dos meus fracassos podem nascer virtudes; mas das omissões nada se pode esperar. Os nove que faltaram foram infiéis ao amor. Aos olhos da Lei, o exterior ficou limpo, mas o coração continuou chagado. Legalismos e observâncias impediram-nos de regressar e ver mais longe. Para o samaritano curado, o primeiro e mais urgente foi o amor reconhecido. Também o amor de Deus e do próximo têm prioridades e código de boas maneiras. As nossas omissões são o grande pecado contra o amor.

“Prostrou-se para lhe agradecer” – salienta o Evangelho. É o gesto do cristão. Vivamos “sempre e em tudo dando graças a Deus” (S. Paulo aos Efésios 5,20). A oração de louvore acção de graças caracteriza a atitude filial de Jesus Cristo e do cristão. Do Coração de Jesus brota sem cessar a oração de louvor, eco da sua vida e atitude diante do Pai: “Pai, Eu te dou graças” (S. João 11,41). Com Jesus Cristo aprendemos a dar graças, vivendo em comunhão eucarística em todo o tempo e lugar. O cristão encontra em tudo motivos de louvor. O louvor é a expressão do amor puro, a forma de oração perfeita. No louvar e agradecer encontramos a maneira mais eficaz para pedir. A oração de louvor leva à contemplação e exprime a mais íntima relação do homem com Deus. Inaugura na terra o êxtase definitivo, contemplando agora em figuras o que depois veremos face a face. 

A Eucaristia celebra no mundo o louvor de Jesus Cristo e do homem. Na morte e ressurreição do Senhor encontra-se o motivo supremo do nosso louvor e com Ele damos ao Pai toda a honra e toda a glória. A Eucaristia é “recordação” de Jesus Cristo, perpétuo memorial! Quando celebramos a Eucaristia, voltamos atrás a agradecer. 

E os outros nove?

Peçamos a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, junto a seu Filho Jesus, para que saibamos ser agradecidos a Deus por tudo quanto Ele nos tem concedido ao longo da nossa existência e sermos gratos também ao nosso próximo que contribui para que possamos viver no caminho dos mandamentos.

Diácono António Figueiredo

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