SERVIR A DOIS SENHORES

Reflexão à Liturgia da Palavra do XXV Domingo do Tempo Comum Ano C

“Que é isto que ouço dizer de ti?”. Que andas atrás do dinheiro e só pensas em ganhar mais. Riquezas e dinheiro foram levados a juízo e saíram condenados. Porquê?

O dinheiro é traidor e no seu tilintar soa o riso do Diabo. Com o dinheiro entra o cortejo insaciável dos bens sensíveis, que põem em perigo os bens eternos. Os bens terrenos são criaturas de Deus. Mau só pode ser o uso que fazemos deles, transformando-os em ídolos, que escravizam e matam. Ganhos ilícitos e práticas fraudulentas põem em risco a gerência. “Não poderás administrar”. Nos Domingos anteriores, S. Lucas, o evangelista que mais se preocupa em mostrar o amor que Jesus sente pelos pobres, ofereceu-nos vários pontos de reflexão sobre os perigos de um apego excessivo ao dinheiro, aos bens materiais e a tudo o que impede de viver em plenitude a nossa vocação de amar a Deus e aos irmãos. 

“Arranjaremos balanças falsas” – diz-nos o Profeta Amós 8,4-7, na primeira leitura, na qual critica com palavras fortes unm estilo de vida típico de quem se deixa absorver pela busca egoísta do lucro, de todas as maneiras possíveis e que se traduz na ganância, no desprezo dos pobres e na exploração da sua situação em benefício próprio. Ao criar o ser humano, Deus fez dele administrador dos bens da natureza e da graça, , que temos de pôr a render na grande feira da vida. Mas o pecado logo se introduziu nas niossas relações fraternas a manchar a gerência com invejas e ambições. Falsas balanças e falsas medidas, roubam a paz e o equilíbrio entre as pessoas. Vivem “os filhos deste mundo” gerindo os seus negócios com enganos e mentiras, amontoando riquezas e seguranças. Não olham a meios e ocultam as suas fraudes com máscaras e subtilezas. Mas Deus nunca dorme. “Não esquecerei nenhum dos seus actos”.

O Salmo Responsorial deste Domingo é o salmo 112 (113), 1-2.4-6.7-8, no qual o salmista nos ajuda a configurarmo-nos mais a Deus ao referir o movimento de baixar-se para elevar; “levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria, para o fazer sentar com os grandes”, como aconteceu na Encarnação do Filho de Deus.

A Epístola de S. Paulo a Tiomóteo 1, 12-17, é o texto que a Liturgia propõe para a segunda leitura. A providência de Deus conta com a oração, ou seja, sem ela, Deus não concede os seus bens, em virtude da liberdade que concede ào ser humano. Este ser humano vai crescendo pela oração que transforma e sintoniza a nossa vontade com a vontade de Deus.

Deus, em Jesus Cristo, quiz identificar-se conm a natureza humana para a elevar pela sua graça. Disto nos dá conta o Evangelho de S. Lucas 16,1-13, onde se relata a incessante procura do ser humana na misericórdia de Deus e a alegria do encontro.

“Arranjai amigos com o vil dinheiro” – refere o Evangelho. Dinheiro e riqueza não contam para a vida eterna. O dinheiro tem dois lados; movimenta-se em duas contas: no dar e no receber, renderá cento por um. O segredo do negócio está em unir as duas faces, porque é no dar que se recebe. Dom partilhado é dom enriquecido. A dívida do amor fraterno só se paga pela moeda inquebrável do amor de Deus. Para quem é rico de amor tudo se converte em bem.

“Os filhos deste mundo têm mais esperteza do que oas filhos da luz” – salienta o Evangelho. Mas que esperteza? Isso é lá “entre eles”. A esperteza dos meios ilícitos depressa leva ao fracasso. As parábolas do Evangelho são um convite a procedermos como filhos da luz. A suprema “esperteza” consiste em usar como se não usasse, ter como se não tivesse. A pobreza evangélica é a arte de jogar forte na posse de bens eternos. A lucidez que tudo acerta está em que o rico tenha alma de pobre e o pobre tenha coração de rico. Qual deles o mais bem-aventurado? O cristão escolheu para si a divina “esperteza” de ganhar a posse de um Reino. Não é o mais fácil, mas é o mais seguro.

“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” .- alerta Jesus no Evangelho. Há um juízo de valor a fazer, uma decisão a tomar. Até quando andaremos “cambaleando dentre Deus e Baal”, idolatrando coisas que não nos podem salvar (1.º Livro dos Reis 18,21). Quem hesitar na escolha não tem o gosto de Jesus Cristo. Se rejeitamos bens temporais, não é para ficar de mãos vazias, mas possuir tudo por acréscimo. Não é o vazio que nos atrai, mas a plenitude dum Reino que nos está preparado.. Recusas e desprendimento são esse “pouco” que nos introduz nas moradas eternas, onde tudo se recupera e transfigura. Jesus Cristo pobre dá-nos a garantia e a certeza dos bens eternos. Servuir a Deus é ganhar.

Qua a Santíssima Virgem Maria nos ajude a ser “astutos”, garantindo-nos, não o sucesso humano, mas a vida eterna, para que, no momento do juízo final, as pessoas necessitadas que ajudamos possam dar testemunho de que nelas vimos e servimos o Senhor. 

Diácono António Figueiredo

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