PECADORES EM FESTA

Reflexão à Liturgia da Palavra do XXIV Domingo do Tempo Comum, Ano C

As parábolas da misericórdia são o retrato de Deus, a história dos homens. O amor misericordioso é a síntese da mensagem evangélica, a plenitude do coração de Jesus Cristo, coração do Pai. Deus revelou-se misericórdia no coraçao de seu Filho Jesus. O livro da minha vida, os anais das glórias de Deus são a história dos seus perdões.

Na Liturgia da Palavra deste Domingo, parece que tudo está perdido: a ovelha, a dracma e o filho. Todos andam à procura: o pastor, a mulher, o pai. Por fim, a mesma alegria desmedida do encontro. Este é o «coração do Evangelho» ou «o Evangelho do coração»! Três parábolas para uma “radiografia” do coração de Deus. E um Filho que é em tudo, o retrato do Pai…Ele veio ao mundo para salvar os pecadores. Eu sou um deles! Nisto está toda a sua festa e toda a nossa alegria.

Em linguagem humana, a primeira leitura extraída do Livro do Êxodo 32, 7-11.13-14, fala-nos dos “sentimentos divinos”. Deus é rico em misericórdia.

O Salmo Responsorial é o salmo 50 (51) 3-4.12-13.17.19. Com este salmo reconhecemos o nosso pecado e professamos que o nosso Deus é misericordioso e compassivo.

“Cristo veio ao mundo salvar os pecadores” – diz-nos a segunda leitura tirada da primeira Epístola de S. Paulo a Timótio 1, 12-17. Nesta leitura é-nos apresentado o testemunho e a experiênciade S. Paulo. Jesus Cristo veio salvar os pecadores. Por isso se apressa e afadiga na busca de filhos pródigos e ovelhas perdidas, perdoando os pecados e convivendo com pulicanos e pecadores. É Deus que toma a iniciativa e vem restaurar o amor, interrompido por fugas e cativeiros. Como Moisés, na primeira leitura, Jesus Cristo intercede por nós jundo do Pai e reconciliou-nos com Ele pelo clamor do seu sangue. Os castigos afastam e endurecem, mas o amor transforma e convence. Deus detesta o pecado, mas ama o pecador.

“Tinhamos de fazer uma festa e alegrar-nos” – lemos no Evangelho deste Domingo tirado de S. Lucas 15, 1-32. Podemos, de certo modo, dizer que o capítulo quinze é o “coração” do Evangelho de S. Lucas, pois é um “retrato” de Deus, nosso Pai. O tema comum às três parábolas é a alegria do encontro. Na alegria do Pai se concentra toda a história e acção. O grade pródigo é o Pai, aquele que esbanjou amor, sem cálculo, nem medida. O perdão de Deus é gratuito como o amor que nos tem. Não perdoa porque somos dignos de perdão, mas perdoa, porque nos ama. Antes do filho lhe pedir perdão, já o Pai o beija e abraça. Caminhos de pecado e cativeiros terminam no abraço de Deus que nos espera. Converter o mal em bem é a maravilha da graça, a divina invenção do amor misericordioso. Deus alegra-se pelo bem de qualquer filho, “que estava morto e tornou a encontrar-se” A alegria de Deus consiste em perdoar. Para o coração do Pai, perdoar é uma festa.

A Igreja funda-se no amor misericordioso pelo qual fomos reconciliados em Jesus Cristo ressuscitado. A alegria pascal nasce do perdão. “Os pecados serão perdoados”. Quem não se reconhecer pecador não entrará na festa. Ficará de fora, como o filho mais velho, que se fechou ao amor para salvar direitos e aparências. Perdeu-se a fazer contas e juízos, escandalizado com o proceder do Pai. As nossas fidelidades podem ser ilusão, falseadas pelas buscas secretas de aplausos e recompensas. Não seria amor, mas interesse..

A vida cristã é a festa do amor misericordioso. No perdão que nos dermos uns aos outros, o mundo saberá que Deus é misericórdia. Na Eucaristia vivemos o preâmbulo das bodas eternas, festa do Cordeiro imolado. O cristão vai ao encontro do irmão que anda perdido para o acolher em festa. A verdadeira alegria nasce de Deus e vive nos outros. Compadecer-se de quem sofre é humano; alegrar-se com quem se alegra, é divino. O pecado do filho mais velho esteve em não querer alegrar-se com o irmão. O convívio fraterno é a festa do perdão e da alegria. Não fiques indiferente a olhar de longe. Há festas adiadas que só esperam por ti.

Tenhamos confiança, pois com Deus, nenhum pecado tem a última palavra. A Virgem Maria, Nossa Senhora, que desata os nós da vida, nos liberte da pretensão de nos crermos justos e nos faça sentir a necessidade de procurar o Senhor, que está sempre à nossa espera para nos abraçar, para nos perdoar.

Diácono António Figueiredo

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