FAZ TU O MESMO

Reflexão à Liturgia da Palavra do XV Domingo do Tempo Comum – Ano C

O amor de Deus e do próximo são o caminho que leva à vida. Mas não basta saber; é preciso cumprir. Levamos em nós gravada a lei do amor, e da sua observância depende a nossa identidade. O amor é essência do homem, medida da sua grandeza. Jesus Cristo não veio abolir a Lei, mas completá-la. O cumprimento pleno da Lei está no amor. Por isso, o amor de Deus e do próximo é o preço da vida neste mundo e no outro. A vida eterna é amar.

Na primeira leitura deste Domingo, tirada do Livro do Deuteronómio 30, 10-14, Moisés anima o povo de Israel a cumprir fielmente os mandamentos de Deus. E lembra que cada homem pode conhecê-los sem dificuldade.

Para o Salmo Responsorial, temos o Salmo 68 (69), 14.17.30-31.33-34ab.37, que nos lembra que nos devemos esforçar para encontrar o Senhor e seguir os seus preceitos. É neles que se encontra a nossa alegria. 

A segunda leitura, tirada da Epístoloa de S. Paulo aos Colossences 1, 15-20, é um hino de louvor a Cristo. Por Ele o Pai criou todas as coisas e n’Ele reside toda a plenitude da graça.

A passagem evangélica deste Domingo é tirada de S. Lucas 10, 25-37, onde Jesus nos diz que temos de amar a Deus com todo o coração e por amor d’Ele amar o próximo como a nós mesmos.

“Quem é o meu próximo” – pergunta feita a Jesus no Evangelho. Pois bem! O meu próximo é “certo homem ou mulher”, um(a) qualquer. O meu próximo é todo aquele(a) que se aproxima de mim, e não só daquele(a) de quem eu me aproximo. Podia haver escolhas e desvios. É todo o que precisa da minha ajuda e amizade, duma palavra de estímulo e de conforto. O samaritano não perguntou nada, porque o amor não faz perguntas. Pelo amor me faço próximo de quem tiver necessidade de mim. Serei próximo quando me aproximar. Nada de lamentações; mas aproxima-te. Quando amar com todo o coração, serei próximo e íntimo de todos e todos são próximos de mim. É fácil reconhecer, mas é fácil aproximar-se.

“Passou do lado oposto” – narra o Evangelho. O sacerdote e o levita conheciam bem as Escrituras e talvez fossem pelo caminho recitando salmos. Mas, na hora da verdade, não souberam descer das suas pressas e pensamentos para responder às exigências da Lei, naquela curva da estrada. Desviaram-se para o lado oposto, fugindo à urgência do amor. Em vez de caminharem na rectidão da Lei, preferiram o carreiro duvidoso de desculpas e pretextos, das falsas motivações. Friezas e insensibilidades, orgulhos e egoísmos são “o lado oposto”, que nos afasta de nós e dos outros, da experiência da vida. “Lado oposto” é a terra dos cobardes e dos medíocres, terra de todos, terra de ninguém.

No Evangelho, Jesus diz que “um samaritano prestou-lhe assistência”. Não amou “de palavras nem de língua, mas por obras e em verdade”, como refere S. João na sua primeira Epístola 3,18. Este é o amor que vem de Deus e nos une a Ele, fonte da graça, brotando para a vida eterna. Deus quer amor por obras e não legalismos. Também o samaritano, como o sacerdote e o levita, tinha as suas pressas e escusas, mas o amor foi mais forte e mais longe. Não se deteve em razões e observâncias, mas compreendeu que o essencial e urgente era amar. O amor é a divina invenção, onde a lei se completa e produz o seu fruto. O amor incomoda; é mais fácil ser observante. Em cada homem ou mulher necessitado está Cristo em agonia e passamos ao largo, tranquilos e observantes. Na dor de quem sofre, também tens a tua parte. O próximo é Ele; o próximo és tu. 

O importante não é saber o que faço, mas o que me falta fazer. Jesus aconselha: “Vai e faz o mesmo”. Só os medíocres fazem muito; os generosos e incondicionais fazem sempre pouco. Somos devedores insolventes do amor fraterno. O coração é o grande acusador, enquanto não pagares toda a dívida.

Fazes muito? Fazes pouco? Pergunta a quem sofre ao pé de ti.

A Virgem Maria nos ajude a compreender e sobretudo a viver cada vez mais o vínculo inseparável que existe entre o amor a Deus, nosso Pai, e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos e nos conceda a graça de sentir compaixão e crescer na compaixão.

Diácono António Figueiredo

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