A FORÇA DO ESPÍRITO

Comentário à Liturgia da Palavra do VI Domingo da Páscoa, ano C

Deus nunca se despede; é sempre Emanuel, Deus connosco. Volta sempre outra vez. Por isso, ao partir para o Pai, Jesus promete ficar. Estabelece em nós a sua morada eleita e faz da Igreja a sua cidade santa. Nós somos as pedras vivas em construção. O cristão é tabernáculo sagrado, onde Cristo mora, “tenda do testemunho”, aberta a quem O procurar.

Jesus Cristo vive na Igreja. Habita nela, casa de Deus, divina construção que o Pai lhe confiou. Fundada n’Ele e no testemunho dos Apóstolos, nela se edifica a nova Jesuralém, onde a Santíssima Trindade desceu e permanece. A glória de Deus é o sol que a ilumina e o Cordeiro é a sua luz.

A primeira leitura (Actos dos Apóstolos 15, 1-2.22-29) fala-nos de uma verdadeia atmosfera sinodal. Na fidelidade aos Apóstolos e ao Espírito de Deus foi possível encontrar atmosfera/ambiente ao estilo de Jesus. 

Quando vivemos o amor de Deus, resplandece em nós a luz do seu rosto, constroem-se caminhos de amor e louvor que chegam aos confins da terra (do Salmo Responsorial – Salmo 66 (67), 2.35.6.8).

Que bela é a cidade que desce do Céu! Todos os que a construiram nesta terra exultam na sua plena beleza e santidade. A segunda leitura deste Domingo é tirada do Livro do Apocalipse 21, 10-14.22-23. 

Acolher a Palavra de Deus torna-nos Sua morada. Morada bela que torna a nossa vida uma presença de Jesus. Disto nos dá conta o Evangelho de S. João, capítulo 14, versículos 23-29. 

Quando amarmos os outros em Jesus Cristo, Ele encarna outra vez e habitará entre nós. “Se alguém me ama, faremos nele a nossa morada” – diz Jesus no Evangelho. Amor exige presença, pede vida e comunhão. Não conhece distâncias nem suporta ausências, porque longe da vista, longe do coração. È assim o amor entre as pessoas e é assim também o amor de Deus. Porque nos ama, mete-se-nos dentro, saltando muros e portas, eliminando ausências. Faz de nós sua morada permanente, lar fecundo e ardente, onde o amor nos põe a mesa e nos sacia. “Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” – refere S. João na sua primeira Epístola, 4,16. Para amar temos de cumprir os mandamentos, guardar as palavras de Jesus Cristo. Pelas obras do amor, a Palavra faz-se vida. A fidelidade à Palavra proclama o amor a Jesus Cristo e aos irmãos, torna viva a sua presença em nós e nos outros. 

“O Espírito Santo Paráclito há-de ensinar-vos tudo” – avisa Jesus no Evangelho. Na verdade, este mesmo Espírito traz como missão pessoal formar Cristo em nós, revelando-nos o seu mistério. Ensina-nos a rezar ao Pai e reza em nossos corações com as mesmas palavras e sentimentos do Filho. Desperta em nós a oração de Jesus, para que eu reze n’Ele e Ele em mim. Se temos a mesma vida, temos a mesma oração. Continua no mundo a memória viva da Boa Nova. O Espírito Santo é a força indomável que vence o mundo. Assiste a Igreja como divino Paráclito para falar em nome dela. Advogado e defensor das nossas questões e demandas. Quando a tempestade se levanta na Igreja e se pretendede encadear o Evangelho em costumes e velhas leis, o Espírito Santo decide pela liberdade que Cristo nos conquistou. (1.ª leitura).

A presença de Deus manifesta-se e dá sinais. No Evangelho Jesus exorta: “Não se perturbe o vosso coração”. Um coração possuído de Deus vive na paz e na alegria. A Jerusalém nova, Igreja santa, quer dizer “cidade de paz”. É este o clima favorável que assinala e faz crescer a comundade dos ressuscitados. A alegria do Cristão nasce da certeza de que vamos com Jesus Cristo para o Pai. Não queremos a paz que o mundo dá, feita de transigências e armistícios. A paz de Cristo vem na violência dos mansos e dos humildes, a revolução que domina a terra. 

A paz que Cristo nos dá é o dom do seu Espírito que habita em nós. Ensinados por Ele e fortalecidos por sua graça, viveremos alegres e confiantes no meio de noites e tempestades.

Hoje o Senhor convida-nos a abrir o coração ao dom do Espírito Santo, para que nos guie pelas sendas da história. Ele educa-nos, dia após dia, para a lógica do Evangelho, a lógica do amor acolhedor, «ensinando-nos todas as coisas» e «recordando-nos tudo o que o Senhor nos disse». Maria, que neste mês de Maio veneramos e oramos com devoção especial como nossa Mãe celeste, proteja sempre a humanidade inteira. Ela, que com fé humilde e corajosa, cooperou plenamente com o Espírito Santo para a Encarnação do Filho de Deus, nos ajude também a nós a deixar-nos educar e guiar pelo Paráclito, a fim de podermos acolher a Palavra de Deus e de a testemunhar com a nossa vida.

Diácono António Figueiredo

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