TOMÉ NÃO ESTAVA COM ELES

Meditando a Liturgia da Palavra do II Domingo da Páscoa

A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja connosco, neste Domingo em que celebramos a Misericórdia Divina. 

A Liturgia da Palavra deste segundo Domingo da Páscoa leva-nos a reflectir sobre a perseverança da nossa fé nessa misericórdia.

A Igreja é comunidade de Fé. Somos um povo de crentes, reunidos em volta do Senhor ressuscitado. Viemos do cativeiro e desertos, ao encontro de Alguém que está vivo. A Ressurreição é o fundamento da nossa fé. “Se Cristo não ressuscito, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé”. (1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios 15, 14). Estava o Evangelho suspenso à espera desta hora. Cristo ressuscitou como prova e garantia de quem era e da verdade que ensinara. 

A primeira leitura é dos Actos dos Apóstolos 5, 12-16. A nascente comunidade cristã era constituída por pessoas que viviam unidas pelos mesmos sentimentos, eram estimadas, muito admiradas e por isso exerciam forte atracção nos que com eles contactavam. Isto originava que muitas outras pessoas se tornassem discípulas de Cristo. 

O Salmo Responsorial é do salmo 117 (118). Neste salmo declaramos que o Senhor é bom e a referência à pedra rejeitada, que se tornou pedra angular, faz-nos recordar a Paixão e a Ressurreição de Jesus, fundamento da nossa fé na misericórdia divina.

A segunda leitura é tirada do Livro do Apocalipse 1. 9-11a.12-13.17-19. Para compreender esta leitura, estejamos atentos ao seguinte: o Filho do homem é o Senhor ressuscitado, fonte de misericórdia; a veste comprida do sacerdote indica que Jesus é agora o único sacerdote; a faixa dourada à cintura é o símbolo da sua realeza; os sete castiçais indicam a totalidade das comunidades cristãs. 

O Evangelho é de S. João 20, 19-31. A evidênia possui a prova irrefutável de um facto. A felicidade e alegria daqueles que acreditam sem terem visto é a fé realmente pura. “Jesus veio colocar-se no meio deles” – refere o Evangelho. Foi para isto que Ele ressuscitou. À Sua volta se congregam os discípulos, formando a Igreja, o novo povo de Deus, convocado pelo anúncio da Sua Ressurreição. A Igreja é a convocação pascal, a assembleia festiva, que torna presente e celebra Cristo ressuscitado e proclama a nossa própria ressurreição. Foi o prémio e dom do Pai pela vitória de seu Filho. Somos um povo de ressuscitados, o perpétuo memorial da Páscoa do Senhor.

A Igreja é Cristo ressuscitado, em aparição permanente. Através do disfarce de fragilidades e estruturas, torna Cristo presente pelos caminhos dos homens. Cristo e a Igreja fazem um só com o Pai, na unidade do Espírito Santo. No mistério da Igreja, Cristo aparece e desaparece nas suas limitações e disfarces de peregrina. Vive nela, mesmo que a tempestade se levante e se lhe fechem todas as portas. A verdade e o amor não têm prisões nem cadeias. Quando de fora se erguerem muros e dentro surgirem tensões, a glória do Senhor não tarda. “A paz esteja convosco”.

“Tomé não estava com eles” – salienta o Evangelho. Por isso não acreditou. A fé nasce do facto da Ressurreição de Jesus, presente e vivo entre os irmãos. Consiste em viver como Jesus vive, estar onde Ele está. Estar com Ele quer dizer estar com a Igreja em comunhão, acreditar no que Pedro acredita. Para acreditar tenho de tocar Cristo e entrar em relação íntima e pessoal com Ele. Mas há ausências que impedem, orgulhos e recusas que resistem. Quem quiser reconhecer Cristo, tem de tocar-Lhe as chagas. Tocar a dor é ver mais longe, aceitar os caminhos por onde Ele vem. Fé é tocar o amor e cair de joelhos: “Meu Senhor e meu Deus”. 

“Felizes os que acreditam” – diz Jesus no Evangelho. A perfeita felicidade veio-nos com Jesus ressuscitado, saltando muros, abrindo portas. “A fé é a vitória que vence o mundo”, o triunfo da dor e da morte. Para ser feliz é preciso acreditar na Felicidade, que é Jesus. Os crentes encarnam as testemunhas fiéis da alegria do Senhor. Levam na própria vida, como em escritura sagrada, a alegre notícia de Jesus ressuscitado. Só aquele que tocar Jesus pode anunciar a palavra da vida e ser argumento para aqueles que não viram.

O cristão testemunha na vida e nas obras a felicidade de acreditar. “Que os homens Me vejam e toquem e caiam de joelhos”: “Jesus, eu confio em Vós”.

A Virgem Maria, Mãe de Misericórdia, nos ajude a viver neste jubiloso tempo pascal na alegria e na Paz do Senhor Jesus ressuscitado.

Diácono António Figueiredo

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