TEMPO DE CONVERSÃO E DE LUTA

Reflexão à Liturgia da Palavra do I Domingo da Quaresma

O Tempo Quaresmal, iniciado na passada quarta feira com a imposição das cinzas, consiste na renovada oportunidade que Deus nos concede de voltarmos a casa; de adentrarmos sem medo e sem rodeios no profundo mistério do seu amor para connosco.

Conversão e luta contra o pecado que nos separa do Amor é o grande desafio deste 1º Domingo da Quaresma. Sigamos os passos do Senhor, que na vitória sobre o mal, nos mostrou o caminho a seguir.

Começa a Quaresma. Mais uma vez nos pomos a caminho para a grande empresa de morrer e ressuscitar. Reacende-se a luta entre o mal e o bem, a luz e as trevas. Cada um de nós vai ser, mais uma vez grande teatro do mundo, cenário da história, onde se revive a tentação do Paraíso e a prova do Povo no deserto. O príncipe deste mundo vai ser lançado fora. 

O Livro do Deuteronómio 26, 4-10, é a 1.ª leitura que é um convite a nos prostrarmos unicamente perante o Senhor nosso Deus; nada nem ninguém tem o direito de exigir a nossa adoração; só a Ele pertencemos inteiramente.

O Salmo 90 (91) 1-2.10-16, será proclamado (cantado) como Salmo Responsorial. O Senhor jamais abandona os seus filhos e é sobretudo nas dificuldades que se faz próximo, confortando os que n’Ele se refugiam.

A segunda leitura é tirada da Epístola de S. Paulo aos Romanos 10, 8-13. Crer em Jesus Cristo é o pórtico para a vida nova que Ele reserva aos que se deixam conquistar pela salvação prometida; o Senhor é de facto rico em misericórdia para com todos.

O Evangelho é extraído de S. Lucas 4, 1-13. As tentações de que Jesus Cristo é alvo têm uma única finalidade: afastar o Filho de Deus daquele projecto de vida e libertação para o qual havia sido enviado e deste modo evitar o resgate da humanidade decaída. O maligno exerce sobre os homens esse fascínio de serem como deuses, sem referência filial ao Deus único e verdadeiro, fechados sobre os esquemas deste mundo e à mercê das suas ilusórias conquistas.

Quaresma é tempo de deserto. “Foi conduzido através do deserto” – Diz o Evangelho. Com Cristo entramos no deserto levados pelo Espírito. Passam pelo deserto os caminhos da fidelidade à aliança, o risco de crer, a coragem de esperar. Chegou a hora de discernimento e decisões, tempo de respostas e compromissos. Vamos ao deserto, em penitência e oração, purificar-nos de critérios terrenos e falsas medidas. Quanto mais comprometidos na obediência à “Palavra da fé”, mais livres para ressuscitar. (2.ª leitura).

“Diz a estas pedras que se transformem em pão” – salienta o Evangelho. É a tentação vulgar de apegos aos bens sensíveis. Começa por aqui a estratégia do pecado. Por aqui entrou o pecado no mundo e será levado o homem a todos os vícios. Mas “nem só de pão vive o homem”. O Reino de Deus não é comida nem bebida, prazeres e comodismos, mas fome e sede de amor e santidade. Há outros valores que saciam a alma e respondem aos gostos mais profundos do coração do homem.

Andam os homens de rastos, escravos de poderes e honrarias. “Dar-te-ei todo este poder se te prostrares” – refere o maligno no Evangelho. Mas as promessas do tentador são mentira e ilusão. “Foram-me confiados”. Não foram. “Dar-te-ei”. Não dará. Assalta-nos a toda a hora a tentação de infidelidade: ídolos impotentes disputam o coração do homem. “Ao Senhor adorarás. O nosso Reino e poder é Ele.

“Atira-te daqui a baixo” – tentação do demónio a Jesus referida no evangelho. Sem dúvida é uma tentação subtil que leva oculta a recusa do projecto de Deus. Era a vulgar concepção farisaica dum Messias político, inaugurando o seu Reino em esplendor e majestade. No começo do seu ministério, Jesus adianta-se a rejeitar realezas oferecidas, triunfos fáceis. Escolheu o caminho difícil da humilhação, a realeza da cruz. Cristo veio remir o mundo com o sofrimento e não com golpes teatrais. É o caminho traçado, o programa que temos a cumprir. O resto é tentar a Deus.

Cristo apresenta-se como o lutador que vai à frente. Assumiu as nossas faltas e tentações, fazendo-as suas. Com Cristo tudo podemos, animados pelo Espírito, que nos ungiu de graça e de fortaleza. Agora quando entramos na luta já somos vencedores. A luta é sua, mas a vitória é nossa. “Se confessares que Jesus é Senhor, serás salvo”. (2.ª leitura).

A Palavra que sai da boca de Deus nos ensina a responder ao tentador. Se obedecermos ao projecto redentor, dóceis ao Espírito que nos conduz e fala em nós, saberá o mundo que somos filhos de Deus.

A materna intercessão da Virgem Maria, ícone de fidelidade a Deus, nos ampare no nosso caminho, ajudando-nos a rejeitar sempre o mal e a acolher o bem.

Diácono António Figueiredo

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