Eram três

Reflexão à Liturgia da Palavra da Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José

A história da Redenção é uma história de família. A salvação veio-nos na intimidade de um lar, imagem da família de Deus. O projecto do Pai consistiu em fazer dos homens uma só família, que O confessasse em verdade e O servisse santamente. Para isso mandou ao mundo o seu Filho, feito filho e irmão de todos os homens.

A família de Nazaré reproduz a vida da Trindade Santa, imitando no mundo a sua essência e missão. José e o retrato do Pai, alicerce da unidade, fundamento de decisões. Maria é a alma do lar, laço de amor, como o Espírito Santo, na vida trinitária. E a família cristã encarna, a seu modo, a fecundidade e o amor da família de Deus.

Neste dia da festa da Sagrada Família somos convidados a celebrar o amor de Deus que se exprime na beleza de uma família simples, amorosa, servidora, disposta a viver com ardente compromisso a vontade de Deus.

Procuremos as surpresas e novidades que Deus nos propõe. Procuremos abrir os nossos horizontes nas propostas de Deus. Sejamos testemunhas audazes do projecto grandioso da família cristã, ajudando a sociedade a encontrar a profundidade e beleza da vida e do amor. Para isso, coloquemos no centro a Cristo, Maria e José que nos ajudarão.

Quem honra os seus pais obtém o perdão dos pecados, um tesouro no Céu, encontra a alegria e longa vida. Esta conclusão vem expressa na primeira leitura, do livro de Ben-Sirá, capítulo3, versículos 14-17a.

No Salmo Responsorial, que vem do salmo 127 (128), 1-2.3.4-5, refere-se que quem ama o Senhor sabe partilhar desse amor, encontrar a felicidade e ser fecundo.

A segunda leitura é tirada da Epístola de S. Paulo aos Colossences, capítulo 3, versículos 13-21. Nesta leitura concluímos que revestidos desta proposta, poderemos ficar mais sábios.

No Evangelho de S. Lucas, capítulo 2, versículos 41-51a, somos interpelados a viver de Jesus e para Jesus.

A família está hoje em crise, ameaçada nos seus valores essenciais. “A caridade é o vínculo da perfeição” – diz a segunda leitura. O modelo traz-lhe a resposta e o modelo da perfeição. Na família cristã, Deus tem o primeiro lugar, o primado absoluto das nossas vidas e opções. Deus não é um desmancha prazeres no amor das criaturas. Ele é o Amor. A felicidade de um lar vem-nos de estar sempre ocupados nas coisas do Pai e da busca permanente de Cristo, até O levarmos connosco no coração e na vida. Assim cresce a família em sabedoria, estatura e graça,  como o Menino Jesus. Na família cristã, Deus é tudo e tem o primeiro lugar.

“Tenho de estar na casa de meu Pai” – refere Jesus no Evangelho. A família cristã é casa do Pai, santuário de sacrifícios e oblações. Está no mundo para colaborar com Deus no seu projecto de amor e redenção, tornando-se continuadora da obra dos seis dias. Completa o número dos eleitos, preparando para o Pai um povo de filhos. A fecundidade da família está em crescer em número e graça, diante de Deus e dos homens. Crescer é fazer a vontade do Pai. A grandeza da vida oculta de Nazaré resume-se em dizer “sim”, palavra que só o amor entende. A grandeza da família fundamenta-se no amor, fazendo tudo o que Deus quer.

 A casa de Nazaré é mistério de vida oculta. Onde devemos descer. Ali, o silêncio grita e ao ritmo da serra e do martelo se faz a obra do Pai e se constrói um mundo novo. Vida sem história, nada a declarar. No silêncio se calam ideias e se ocultam destinos, como ninguém teve. Ganha-se ali o sustento com o trabalho de cada dia, como qualquer. No silêncio de Jesus se redimem projectos, que nunca verão a sua hora de triunfo e exaltação. É assim na simplicidade anónima daquilo que acontece sempre, que Deus vai executando os seus planos de glória e grandeza.

Jesus obedecia. A vida oculta em Nazaré é mistério de obediência. O seu ofício é dizer sim, ocupar-se das coisas do Pai. Pelo trabalho de Nazaré, Jesus torna-se artífice da nova humanidade, operário da redenção. A obediência de Cristo dá a todos os seus gestos eficácia redentora, escondida em pobres aparências. As coisas quanto mais simples, mais divinas.

Rezemos por todas as famílias, especialmente por aquelas nas quais por vários motivos, faltam a paz e a harmonia. Confiemo-las à protecção da Sagrada Família de Nazaré.

Diácono António Figueiredo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s