Bom Mestre, que hei-de fazer?

Liturgia da Palavra do XXVIII Domingo do Tempo Comum ano B

(Livro da Sabedoria 7, 7-11; Epístola aos Hebreus 4, 12-13;

Evangelho segundo S. Marcos 10, 17-30)

Todos queremos a vida eterna e corremos em sua busca, como aquele homem do Evangelho. Também nós temos muitos bens, mas sentimo-nos vazios, enquanto não assegurarmos o único necessário.

Ninguém se julgue perfeito. “Falta-te uma coisa” – diz Jesus no Evangelho. Mesmo que tenhamos cumprido tudo, falta-nos sempre alguma coisa, somos servos inúteis. A perfeição é sempre mais. Está sempre além do momento que passa, da meta qu7e se alcança. Não se define em fazer isto ou aquilo, chegar aqui ou além. Seria ignorá-la ou diminui-la. É caminhar sem dar conta, é tocar sem sentir, dar sem saber que se dá, receber sem saber que se recebe.

Não consiste em cumprir leis, mas imitar a perfeição infinita do Pai. Não basta ser honesto e cumpridor, mas é preciso imitar e seguir a Jesus Cristo. A fidelidade aos mandamentos tem de completar-se com o desprendimento de tudo que o que nos prende às coisas e a nós mesmos. Mas se renunciarmos a bens materiais, é para possuirmos em troca as insondáveis riquezas de Cristo. (S. Paulo aos Efésios 3,8).

O seguidor de Cristo tem de optar pela pobreza, proposta como ideal a todos os discípulos e não apenas caminho para selectos e iniciados. “Vai vender o que tens”. Todo o cristão é chamado à felicidade de ser pobre. Assim o compreenderam logo os primeiros cristãos, que vendiam os seus haveres, para terem tudo0 em comum. A pobreza evangélica consiste em partilhar. O ideal não é carência, mas que não haja necessitados (Actos dos Apóstolos 4, 34-35). Não é o vazio de coisas, mas amor que se reparte.

Ser cristão é seguir a Cristo em hábitos de pobreza, professando renúncias e desprendimentos. Os religiosos obrigam-se por voto a viver em estado de pobreza, observando normas concretas e um estilo de vida em relação aos bens materiais. Mas os leigos cristãos vivem em situação de pobreza, que a regra da vida lhes traz expressa nos acontecimentos. Possuem como se não possuíssem, libertos de ganâncias e apegos materiais. A pobreza é a divina invenção de ter tudo e não ter nada.

O Reino de Deus é o Reino dos pobres. Foi a sorte que lhes coube, assegurada pelas palavras de Cristo. Foram e continuam a ser injustamente esquecidos no sorteio dos bens terrenos, mas Deus veio em sua defesa e quis fazer-se, Ele mesmo, a sua herança. Os ricos, escravos das coisas, que põem na riqueza a sua felicidade, não têm lugar no Reino dos pobres. Não é por serem ricos que serão condenados, mas por fazerem da riqueza o ídolo a quem adoram. Viver na pobreza é a divina sabedoria. Quem for sábio, dará por ela todo o ouro do mundo. (1.ª leitura). 

Não basta desprender-nos; é preciso dar, “Dá aos pobres” – lemos no Evangelho. Somos pobres para dar, pobres por amor. Cristo fez-se pobre para nos enriquecer com o seu despojo. Se vivemos desprendidos e despojados é para partilhar com os outros aquilo que possuímos, dons da natureza e da graça. Dar aos pobres é abrir-se aos outros e tornar-se atento e disponível aos seus apelos. Uma atenção, um sorriso, um serviço prestado, são o pão que sacia e alegra a festa dos pobres. 

Vamos partilhar o que temos e ainda mais, o que somos. Esta é a perfeita pobreza. O prémio é a vida eterna.

Diácono António

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