“O anjo do gueto de Varsóvia”, todas as vidas importam

Entre a tarde de dia 7 e a tarde de dia 8 celebrou-se o Yom Hashoah Ve-Hagevurah, em português o “Dia da Lembrança do Holocausto e do Heroísmo”. Esta data é celebrada uma semana no 27º dia do mês Nisan, mais propriamente sete dias depois da Páscoa e uma semana antes do Yom Hazikaron, dia da memória dos soldados caídos de Israel. Esta data é celebrada por Judeus mundialmente onde recordam o que aconteceu, recordam todas as vítimas e ainda existem várias entrevistas aos sobreviventes.
Durante a perseguição aos judeus e campos de concentração foram muitas as pessoas que fizeram de tudo para que conseguissem salvar o máximo de pessoas possível. Quando falamos destas pessoas muitos lembram-se logo do nome Oskar Schindler, o empresário que empregou nas suas fábricas 1200 judeus, salvando-os dos campos de concentração e da morte.
Mas esta semana trago-vos a história de uma mulher que salvou milhares de crianças dos guetos de Varsóvia.
Irena Sendler nasceu em 1910 na cidade de Varsóvia. O seu pai era um médico que se dedicava ajudar os mais necessitados, o que levou a que falecesse poucos anos após o nascimento da sua filha com febre tifoide. Foram os atos do seu pai que levaram Irena a dedicar-se aos mais pobres e necessitados o que a levou a tirar um curso de enfermagem e assim dedicar-lhes a sua vida.

Irena Sendler


Quando começou a 2ª Guerra Mundial trabalhava em Varsóvia, e com a ajuda de uma amiga as duas conseguiram permissão para entrar no gueto de Varsóvia (sítio onde os judeus viviam em condições deploráveis e o destino de milhares deles foram os campos de concentração) onde iriam limpar os esgotos para prevenir doenças contagiosas. Num lugar cheio de medo, angústia e tristeza Irena foi capaz de plantar alguma esperança, utilizando todos os meios possíveis tirou daquele sítio crianças de famílias judaicas que teriam um fim terrível. Depois de conseguir convencer as famílias Irena levava as crianças para lares provisórios, onde os seus nomes eram mudados para que não fossem descobertas. Os dados das crianças e das suas famílias eram todos apontados e escondidos dentro de um jarro que escondia no quintal de modo que um dia fosse possível recuperarem as suas identidades e histórias. Aa crianças eram escondidas em cestos do lixo, caixas de ferramentas, sacos de batatas e até caixões, saíam também escondidas dentro de ambulância que Irena dizia transportar doentes com febre tifoide o que levava a que os soldados nazis não fizessem uma revista tão profunda. Apesar da dor de ver os seus filhos partir, os judeus confiavam nela com a garantia de que os seus filhos iriam viver.
Quando as suas atividades foram descobertas Irena foi presa e torturada, no entanto nunca revelou onde estavam as crianças nem os seus nomes. Acabou por ser condenada a morte, mas no dia da sua execução um soldado alemão ajudou-a a fugir. Quando a guerra acabou entregou todas as suas notas das crianças ao Dr. Adolfo Bernan, primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes, que ajudou a procurar a família das crianças. Infelizmente a maior parte morreu nos campos de concentração. Deste modo Irena conseguiu salvar 2500 crianças.
Em 2007 recebeu o Prémio Nobel da Paz e foi lançado um filme da sua história em 2009. Faleceu a 12 de maio de 2008 aos 98 anos, o seu trabalho continua através da organização “Life in a Jar”, em português “A Vida numa Jarra”.

Irena Sendler


“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade”, Irena Sendler

Nesta semana rezemos por todos aqueles que são perseguidos pelo mundo pelas mais diversas razões. Rezemos por aqueles que estão a ser presos e obrigados a trabalhar em campos de trabalho escravo. Rezemos também por aqueles que não podem expressar a sua fé por medo.

Margarida Vicente

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Margarida Vicente

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