A VEREADORA ADOLESCENTE

Belen passeia pelo jardim da família, em Paquiestancia, Equador

O dia de Belen Perugachi começa antes do nascer do sol, em Paquiestancia, Equador. Às 4 da manhã, a jovem de 16 anos está com as vacas: a família vende leite no mercado local, recolhendo 0,43 dólares por litro pelos 20 litros que produzem todos os dias. Depois a pandemia atingiu. O preço do leite baixou, e o mercado fechou.

Na comunidade rural de Paquiestancia, Equador, a agricultura e a pecuária constituem a principal fonte de rendimento para muitas famílias. Assim, quando o principal mercado fechou em Cayambe, Belen e o seu grupo de jovens reforçaram-se, abrindo um novo mercado para apoiar as mulheres e as suas famílias. Belen pretende preservar mais do que a economia local, mas também está a preservar as tradições locais: aos 16 anos, é a mais jovem membro do Conselho de Proteção de Direitos do Município de Cayambe. A sua ascensão a vice-presidente em 2019 marcou a primeira vez que um adolescente foi eleito para o cargo.

Belen defende os direitos indígenas num plano global. Em 2018, viajou para o Chile para a Comissão Económica da América Latina e Caraíbas. “Com a minha participação procurei enviar uma mensagem a todas as raparigas indígenas como eu na América Latina”, diz. “Disse-lhes para defenderem os seus direitos e sentirem-se orgulhosas das suas tradições.”

Uma das tradições que Belen espera preservar é a “cerimónia de purificação”, um ritual indígena que se desvanece com o tempo. “Hoje, quase 50 pessoas na nossa comunidade estão a participar. Vamos pedir às montanhas sagradas que nos tragam prosperidade no mercado.” Antes de iniciar a cerimónia, Belen percorre as montanhas da Mama Kayambi para recolher água benta. “O vulcão”, explica, “representa o poder feminino na minha cultura.”

Belen tinha apenas 12 anos quando decidiu tornar-se defensora dos direitos indígenas ao juntar-se ao Grupo de Crianças e Adolescentes de Pueblo Kayambi. “Quero que as pessoas nas zonas rurais tenham as mesmas oportunidades que as pessoas nas cidades”, diz. “Imagino um mundo com respeito por diferentes culturas, com respeito por homens e mulheres… Sonho com equidade.”

Joana Brígida

artigo preparado por
Joana Brígida

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