JOYNAL (17.5.2020)

número 11(17.5.2020)


artigo preparado por Joana Brígida

No dia 12 de Maio comemora se a morte da Beata Joana de Portugal. Filha de D. Afonso V, rei de Portugal, e de sua esposa, a rainha D. Isabel, a Princesa D. Joana nasceu na cidade de Lisboa, em 6 de Fevereiro de 1452; era uma época em que no País se vivia a epopeia dos Descobrimentos. Órfã de mãe aos quatro anos de idade, procurou desde menina praticar as mais edificantes virtudes humanas e cristãs, tanto no desprendimento das grandezas da Corte e das facilidades do mundo, como na profunda piedade e vida interior, na franca devoção à paixão de Cristo e na caridade em favor dos pobres e necessitados. Para manifestar tal gênero de sentir e de viver, escolheu por distintivo pessoal a coroa de espinhos.

Aos dezanove anos, com permissão do pai, recolheu-se ao Mosteiro de Odivelas, das monjas bernardas; contudo, em 4 de Agosto de 1472, apesar da resistência do irmão, o Príncipe Perfeito e futuro rei, e dos nobres da Corte, deu entrada no Mosteiro de Jesus, da então Vila de Aveiro, a que ela chamava “a sua Lisboa, a pequena”. Aqui viveu em austeridade claustral e em fervor religioso, sob o hábito de S. Domingos, até à sua morte, ocorrida em 12 de Maio de 1490; tinha trinta e oito de anos de idade. O seu cadáver foi então sepultado em campa rasa, no coro baixo do mesmo Convento, contíguo, à respetiva igreja.

Logo após o seu falecimento, o povo de Aveiro começou a venerá-la por santa, considerando-a mesmo, mais tarde como celeste protetora da cidade, junto de Deus – como o fora durante a vida, lutando pela liberdade e pelos direitos dos seus habitantes. O seu culto foi confirmado pelo papa Inocêncio XII, em 4 de Abril de 1693, constituiu-a oficialmente como padroeira da Cidade e da Diocese de Aveiro.

Joana Brígida

Naquele mês de Maio, os jardins e o pomar do mosteiro de Jesus, em Aveiro, estavam floridos e verdejantes como nunca se vira. Muitas plantas tinham sido dispostas e regadas carinhosamente pelas mãos da princesa Santa Joana, que nesse mosteiro vivia. O melhor recreio da filha de D. Afonso V era deixar a sua cela e passear com as outras freiras à sombra daquelas árvores e no meio daquelas flores.
Chegara, porém, o fim da Santa Princesa. Todos os sinos das igrejas dobravam a finado, e no mosteiro ia um choro alto, porque ela deixara de viver. Preparam-lhe o túmulo no coro da igreja e organizam o cortejo funerário desde a cela, passando pelos jardins, para que a vissem pela última vez as plantas que ela estimara tanto.
Deu-se então um caso maravilhoso! Á passagem do enterro, começaram a murchar todas as ervas e desfolhar-se as flores. As folhas e os frutos novos secaram nas árvores e foram caindo tristemente sobre o caixão. Ninguém pôde conter as lágrimas, ao ver que a própria natureza tomava parte no sentimento que, pela morta da Santa, encheu a corte e o reino de Portugal.

Quase em silêncio divino
A Terra a Deus se confia.
Vem do céu a voz do sino,
Vem do céu… Ave-Maria!

 Padre Moreira das Neves

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