Livro da semana

Luz do Mundo de Bento XVI

Neste livro, Bento XVI fala de si, da Igreja e dos sinais dos tempos. Ele resulta de uma entrevista entre Bento XVI e o jornalista alemão Peter Seewald.
Alguns excertos:
Verdade
«[…] o homem tem de procurar a verdade; ele é capaz da verdade. É evidente que a verdade necessita de critérios de verificação e de falsificação. E deve andar sempre de mãos dadas com a tolerância. Mas a verdade mostra-nos também valores constantes que fizeram grande a humanidade. Por isso devemos reaprender e voltar a praticar a humildade de reconhecer a verdade e deixar que ela nos sirva de bitola.»
«[…] a verdade não pode chegar através da violência, mas sim através da força que lhe é própria: Jesus apresenta-Se a Pilatos como a verdade e como testemunha da verdade. Ele não defende a verdade com legiões, mas torna-a visível através da sua paixão e assim a põe também em prática».

Nova intolerância
«Está-se a difundir uma nova intolerância […]. Existem regras ensaiadas de pensamento que são impostas a todos e que são depois anunciadas como uma espécie de tolerância negativa. […] Por exemplo, quando se quer, em nome da não discriminação, obrigar a Igreja Católica a mudar a sua opinião relativamente à homossexualidade ou à ordenação de mulheres, isso quer dizer que ela já não poderá viver a sua própria identidade, e que, em vez disso, há uma religião negativa abstrata que se transforma em critério tirânico e que todos devemos seguir.»
«Que em nome da tolerância seja abolida a própria tolerância é uma verdadeira ameaça perante a qual nos encontramos. O perigo é que a razão – a chamada razão ocidental – afirma que reconheceu agora o que é verdadeiro e apresenta uma pretensão de totalidade que é hostil à liberdade. […] Ninguém é obrigado a ser cristão. Mas ninguém deve ser tão pouco obrigado a viver a «nova religião» determinada como única e obrigatória para toda a humanidade.»
«Os cristãos são tolerantes e, nesse sentido, deixam que os outros tenham a sua própria identidade. Estamos agradecidos pelo facto de, nos países do Golfo Pérsico […] haver igrejas nas quais os cristãos podem celebrar missa, e esperamos que seja assim em todo o lado. Por isso, é evidente que os muçulmanos também devem poder reunir-se para rezar em mesquitas nos países cristãos.»
«No que toca à burca, não vejo nenhuma razão para uma proibição geral. Diz-se que algumas mulheres nem a vestiriam voluntariamente e que ela seria uma forma de violação da mulher. Com isso não posso, naturalmente, estar de acordo. Mas, se desejarem voluntariamente vesti-la, então não sei porque se deva proibi-lo.»
«O que importa é que procuremos viver e pensar o cristianismo de tal modo que ele absorva o moderno que é bom e está certo e, ao mesmo tempo, se separe e diferencie do que é uma contrarreligião.»

Fé e negação da fé
«Recorrentemente, o Homem renega a fé, quer ser só ele, torna-se laico no sentido mais profundo da palavra.
Porém, a presença divina revela-se sempre no Homem. Este é o combate que atravessa toda a História. Como dizia Santo Agostinho, a História mundial é uma luta entre dois tipos de amor: o amor por si próprio – até à destruição do mundo – e o amor pelo Outro – até à renúncia de si próprio. Esta luta, que sempre pudemos presenciar, também está a acontecer agora.»
«Temos sobretudo de procurar que as pessoas não percam Deus de vista. Temos de procurar que elas reconheçam o tesouro que possuem. Temos de procurar que, depois, elas próprias, a partir da força da sua própria fé, entrem no confronto com o secularismo e consigam concretizar a separação dos espíritos. Este enorme processo é a verdadeira, a grande missão deste tempo.»
«Olhando apenas para a Europa, poderá parecer que a Igreja está em declínio. Mas essa é só uma parte do todo. Noutras partes do mundo ela cresce e vive, está cheia de dinamismo. Nos últimos anos, o número de padres novos aumentou em todo o mundo, bem como o número de seminaristas. No continente europeu estamos simplesmente a atravessar uma fase, e não experimentamos o grande dinamismo de crescimento que se encontra verdadeiramente noutros lugares e com que me deparo sempre nas minhas viagens e nas visitas dos bispos.»

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