Obrigado, Santo Padre

Santíssimo Padre,
O nosso coração rejubila, o meu e o de toda a Igreja de Lisboa, com a presença de Vossa Santidade no meio de nós. É certo que vivemos sempre a nossa fé em comunhão convosco porque queremos viver, cada vez mais profundamente, a catolicidade da Igreja e porque, como certamente sabeis, o nosso Povo sempre teve um grande amor ao Papa, manifestado mesmo nas épocas mais conturbadas da nossa História. Mas a vossa presença física é uma graça muito especial: poder ver-vos e saudar-vos, porventura cruzar o vosso olhar que nos comunica a bondade do Pastor, poder rezar convosco, ouvir a vossa palavra que nos convida sempre a abrir a inteligência e o coração à profundidade e à beleza do mistério. Tenha a certeza, Santíssimo Padre, a vossa presença é um convite a aprofundar e a tornar mais radical a nossa fidelidade. Todos nós, mas sobretudo os nossos jovens precisam, além da clareza das palavras, de testemunhas vivas da fé, aquelas em que toda a vida se torna palavra.

Estamos reunidos num dos locais mais belos da nossa Cidade, em que esta se debruça sobre o Rio que a atrai para o Oceano infinito. Os habitantes de Lisboa nascem e morrem envolvidos por esta beleza e atraídos pelo infinito. Habituaram-se a estar sempre dispostos a partir. E partiram à procura de novos mundos, dinamizados pela urgência missionária do anúncio. E ainda hoje continuam a partir, religiosos e religiosas, jovens e famílias inteiras, a experimentar a aventura da missão e a aprenderem nela o verdadeiro ritmo da sua fé.

Ponto de partida, este Rio é também uma porta de entrada e ensinou-nos a acolher quem chega. E chegam muitos, turistas que nos visitam, emigrantes à procura de um país de acolhimento. Recebemo-los como irmãos, com aquele amor que sempre identificou os cristãos. Muitos dos que chegam não são cristãos, praticam outras religiões. Também os acolhemos com amor, aprendemos a respeitar a sua fé, a conviver no diálogo e a descobrir valores que temos em comum. A maioria católica não tira o lugar a ninguém.

A Igreja de Lisboa tem como Padroeiro São Vicente, Diácono e Mártir. Era Santo de grande devoção das comunidades de cristãos moçárabes, a Igreja que subsistiu durante o longo período de domínio muçulmano. E já então a convivência era apanágio dos habitantes de Lisboa. Com a reconquista cristã da Cidade estas comunidades, exteriormente confundidas com o resto da população, passaram um período difícil. O nosso primeiro Rei deu-lhes um sinal de apoio e compreensão: mandou vir as Relíquias do Santo Mártir de Saragoça, que fica assim ligado à Igreja de Lisboa, ensinando-a a servir na diaconia do amor, infundindo-lhe coragem para sofrer quando a fidelidade o exigir.

Por isso, entrego a Vossa Santidade uma Relíquia autêntica de São Vicente. Ela quer significar, Santíssimo Padre, o nosso desejo de servir, a nossa determinação de sermos fiéis, custe o que custar, a nossa alegria de estarmos em comunhão com toda a nossa Cidade, também ela protegida por São Vicente, cujos símbolos estão gravados nas suas armas.

Santo Padre, obrigado por ter vindo. Confirme-nos na fé, comunique-nos a Vossa coragem de sofrer com serenidade, partilhe connosco a paixão da verdade.

Maria Santíssima, o outro grande amor dos portugueses, porque ama a Igreja, ensina-nos a ser Igreja, porque é nossa Mãe conduz-nos à intimidade do seu Filho Jesus Cristo.

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Saudação ao Santo Padre Bento XVI

Publicado por

Padre Diamantino Faustino

Pároco de Linda a Velha

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