Sínodo Diocesano

ENCONTRO DE PREPARAÇÃO DA ASSEMBLEIA DE AVALIAÇÃO DA RECEÇÃO SINODAL

A presente proposta de oração e reflexão destina-se a ser usada em grupos, como forma celebrar o dom do Sínodo Diocesano de Lisboa, de avaliar a sua receção, no contexto de cada comunidade, e de preparar espiritualmente a assembleia de avaliação da receção sinodal. Trata-se de um exercício de discernimento comunitário que pretende predispor os participantes a dar o seu contributo também pelo preenchimento do questionário “Retrospetiva da Caminhada Sinodal de Lisboa”. Para tal, será bom reunir a comunidade ou, pelo menos, um grupo representativo desta (não sendo possível reunir presencialmente, recorra-se aos meios digitais disponíveis).

[NA IGREJA]

Cântico inicial

Somos a Igreja de Cristo,as pedras vivas do templo do Senhor.

Povo de irmãos em redor do irmão,
fogo alastrado em fraternidade;
A mesa posta é lugar para todos,
É um convite para a humanidade.

V. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Ámen.

Da carta do Senhor Patriarca no Início do Processo de Avaliação da Receção da Constituição Sinodal.

Desejo-vos a todos um Tempo Pascal muito preenchido pela presença do Ressuscitado nas vossas vidas, comunidades e famílias. Presença que nos certifica da sua vitória sobre a morte e tudo o mais que nos entristece e definha, como a pandemia, que havemos de superar também, com responsabilidade e determinação.
O Tempo Pascal no Patriarcado será particularmente dedicado à avaliação do Sínodo Diocesano, realidade por nós vivida desde 2014. Um caminho relativamente longo, que empreendemos para pôr em prática o grande programa pastoral proposto à Igreja pelo Papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), de 24 de novembro de 2013.No número 25 da exortação, o Papa esclareceu bem o seu objetivo: «Aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma simples “administração”. Constituamo-nos em “estado permanente de missão”, em todas as regiões da terra».
No número 31, acrescentou o Papa: «Na sua missão de promover uma comunhão dinâmica, aberta e missionária, deverá [o bispo diocesano] procurar o amadurecimento dos organismos de participação propostos pelo Código de Direito Canónico e de outras formas de diálogo pastoral […]. Mas o objetivo destes processos participativos não há de ser principalmente a organização eclesial, mas o sonho missionário de chegar a todos».
L2. Foi para concretizar esta indicação papal que, ouvido o Conselho Presbiteral, lancei a 22 de janeiro de 2014, Solenidade de São Vicente, Padroeiro do Patriarcado, o nosso Sínodo Diocesano. Seguiram- se cinco etapas de PREPARAÇÃO, em que centenas de grupos sinodais, envolvendo cerca de vinte mil diocesanos, estudaram os cinco capítulos da exortação apostólica e enviaram conclusões para o secretariado entretanto constituído. Com base nessas conclusões, seguiu-se a REALIZAÇÃO ou CELEBRAÇÃO, em novembro/dezembro de 2016, da assembleia sinodal, da qual saiu a Constituição Sinodal de Lisboa. Essa assembleia coincidiu com o tricentenário da qualificação “patriarcal” de Lisboa. Podeis ver na Vida Católica, órgão oficial do Patriarcado (quarta série, número 13, dezembro de 2017), muito do que se fez e propôs nessas duas fases do Sínodo.
De então para cá, dedicámos quatro anos à RECEÇÃO sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa, em torno de quatro números axiais, escolhidos pelas vigararias: Número 38: Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé. Número 46: Viver a liturgia como lugar de encontro (com Deus e a comunidade). Número 53: Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias sociais e geográficas. E também o Número 60, transversal a todos os outros: Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas, na corresponsabilidade comunitária.
L3. Foram muitas as iniciativas para a respetiva concretização, provindas dos Departamentos diocesanos ou organizadas vicarial e localmente. Lembro, por exemplo, quanto se fez em relação à Palavra de Deus e às condições para a sua proveitosa leitura, meditação e transmissão comunitária. O mesmo em relação à Liturgia, sobretudo com as ações de formação feitas pelo respetivo Departamento nas dezoito vigararias. Também o que se tem feito no campo sociocaritativo, em especial com as “semanas vicariais da caridade”, tudo a partilhar no Congresso de maio próximo. E sem esquecer o incremento das instâncias de corresponsabilidade comunitária, como os conselhos pastorais e económicos das paróquias, com a colaboração da vigararia geral.
É sobre este caminho de sete anos que faremos agora a necessária AVALIAÇÃO. O Secretariado do Sínodo Diocesano, junta a esta carta as indicações necessárias para que tudo se faça com boa cadência, participação e resultado. Dessa avaliação sobressairá o que melhor resultou e mais precisa de ser continuado, para que a nossa Igreja de Lisboa cresça em louvor, caridade e missão. A assembleia final de avaliação acontecerá a 18 e 19 de junho. Mas será fruto do que fizermos até lá. Conto muito com a colaboração de todos e de cada um!Na Páscoa da Ressurreição do Senhor!

Lisboa, 4 de abril de 2021

Manuel, Cardeal-Patriarca

Durante alguns momentos de silêncio, todos pedem no íntimo do seu coração a graça do Espírito Santo e a disposição de O acolherem da melhor forma possível.
Depois, quem orienta o momento de oração, diz a seguinte oração:

V. Deus do universo, que santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Cristo, nosso Senhor.

R. Ámen.

Em seguida, algum dos participantes, proclama a Palavra de Deus.

LEITURA At 2, 42-45

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações. Toda a gente se enchia de temor, e muitos prodígios e milagres se realizavam pela ação dos Apóstolos. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens, e distribuíam o dinheiro por todos, conforme a necessidade de cada um.

Palavra do Senhor. R. Graças a Deus.

Depois de um breve momento de silêncio, um dos presentes lê o número 60 da Constituição Sinodal de Lisboa.

“A Santíssima Trindade é a fonte e o modelo da comunhão humana e, por isso, também origem e sustento da comunhão eclesial. A esta luz, um dos pontos essenciais na edificação comunitária prende-se com a atenção à vida fraterna nas paróquias e comunidades, assinalando-se o pastor como figura paternal e fraternal que ajuda a esta construção. A capacidade evangelizadora da Igreja depende, em grande parte, da vivência da comunhão. Torna-se, por isso, necessário formar grupos de crentes que releiam a vida pessoal e comunitária à luz do Evangelho, fomentar a comunhão entre grupos, movimentos e obras da mesma paróquia, transformar os espaços eclesiais habituais tornando-os mais fraternos e acolhedores, partilhar os recursos pastorais com paróquias próximas e dinamizar uma pastoral de conjunto, evitando dispersão de recursos e de energias. Também é urgente velar pela colaboração entre os diversos ministérios e instâncias eclesiais, motivando e incrementando o trabalho em equipa. Consciente de que nem tudo pode ser determinado por si, a Igreja diocesana é chamada a acompanhar, agradecida, a gestação de dinamismos de cooperação entre diversos organismos e grupos eclesiais. Finalmente, no atual contexto cultural, é urgente criar novos modos de presença junto dos nossos contemporâneos, propondo-lhes de novo o Evangelho e a sociabilidade em que ele nos introduz.” (Constituição Sinodal de Lisboa, n.o 60, adapt.)

[NO SALÃO]

Segue-se um momento de leitura individual da passagem bíblica e do n.o 60 da CSL. Depois, o animador explica o trabalho de reflexão em grupo sobre os restantes números escolhidos para o caminho de receção. Cada grupo trabalha apenas um dos seguintes números, havendo um ponto relativo ao objetivo transversal: Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas. No lançamento dos trabalhos pode ver-se o vídeo retrospetivo da caminhada sinodal.

Grupo I – Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé
«A fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo» (Rm 10, 17). A Palavra de Deus tem uma importância nuclear na vida da Igreja, no percurso de fé dos crentes e na construção da sua própria personalidade. Ela faz nascer a Igreja e desperta a fé em cada momento da vida. É urgente recolocar a Palavra de Deus no centro das comunidades cristãs, mobilizando os recursos necessários para que seja conhecida, escutada, meditada, rezada, celebrada, cantada, vivida, testemunhada e bem proclamada. Neste sentido, promova-se a leitura orante da Escritura e a formação bíblica; a sua presença em todos os momentos da evangelização; o seu papel fundamental nos processos de conversão e de crescimento na fé e de discernimento das motivações para seguir Jesus; o seu lugar estruturante na definição dos itinerários catequéticos. As diferentes modalidades de evangelização devem ter a Palavra de Deus como elemento constitutivo. Merece especial destaque, neste contexto, a homilia, baseada nos trechos proclamados e na tradição viva da Igreja. Sendo para muitos cristãos o momento evangelizador por excelência, requer-se preparação e não improvisação; que interpele a vida da comunidade cristã e conduza ao mistério que se celebra. (Constituição Sinodal de Lisboa, n.o 38)
Pistas para o trabalho em grupo:

– Leitura em comum do número da CSL.
– Partilha sobre a forma como a nossa comunidade recebeu e implementou este número da CSL. O que foi feito de concreto e o ainda há por fazer.
– Avaliar em que medida a atual pandemia veio reforçar a necessidade de fazer da Igreja uma rede de relações fraternas.

Grupo II – Viver a liturgia como lugar de encontro
A liturgia é lugar de encontro com Deus e também da comunidade cristã enquanto Povo de Deus que celebra. Além da beleza dos espaços e dos ritos, da música e do canto, a celebração da fé é chamada a educar para a interioridade, para a comunhão e para o silêncio, criando momentos que disponham à escuta de Deus. É necessário cuidar sempre da formação litúrgica das comunidades, para que tanto os que exercem ministérios, como toda a assembleia entrem em diálogo com o Senhor. É, por isso, de grande utilidade uma permanente catequese mistagógica que introduza toda a comunidade na vivência dos tempos litúrgicos e na compreensão dos seus símbolos e ritos. Momento por excelência de encontro é a celebração do Domingo, Páscoa semanal, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. As comunidades cristãs são chamadas a recuperar o sentido profundo do Dia do Senhor, pela participação na Eucaristia e pela escuta da Palavra e encontrando formas de viver a fraternidade e a alegria cristãs. (Constituição Sinodal de Lisboa, n.o 47)
Pistas para o trabalho em grupo:

– Leitura em comum do número da CSL.
– Partilha sobre a forma como a nossa comunidade recebeu e implementou este número da CSL. O que foi feito de – concreto e o ainda há por fazer.
– Avaliar em que medida a atual pandemia veio reforçar a necessidade de fazer da Igreja uma rede de relações fraternas.

Grupo III – Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias sociais e geográficas
Este desafio constitui uma prioridade da ação evangelizadora da Igreja. Implica uma opção preferencial pelos pobres e uma proximidade aos excluídos em ordem à promoção da sua dignidade, nos seus diversos níveis (saúde, educação, habitação, emprego). Exige, ainda, uma aposta no trabalho formativo com as famílias e contextos sociais mais vulneráveis, uma sensibilização da comunidade eclesial para ouvir o clamor do pobre e o fortalecimento da sua responsabilidade social. Finalmente, reclama a necessidade de se acompanharem as constantes formas de reorganização social, decorrentes de transformações geográficas e urbanas, e as rápidas mudanças ao nível das condições de mobilidade das populações. (Constituição Sinodal de Lisboa, n.o 53)
Pistas para o trabalho em grupo:

– Leitura em comum do número da CSL.
– Partilha sobre a forma como a nossa comunidade recebeu e implementou este número da CSL. O que foi feito de concreto e o ainda há por fazer.
– Avaliar em que medida a atual pandemia veio reforçar a necessidade de fazer da Igreja uma rede de relações fraternas.

No final, faz-se uma partilha das reflexões dos grupos. Será bom que, para a futura reflexão de cada um, em ordem ao preenchimento individual dos questionários, se faça uma documento com as ideias partilhadas por todos. No final dão-se indicações práticas sobre o preenchimento do inquérito.
O encontro termina com a seguinte oração:

V. Oremos para que a Igreja viva a sua missão apostólica com a mesma intensidade e fidelidade com que a viveram as primeiras testemunhas de Cristo, dizendo com alegria:
R. Dai-nos, Senhor, a fé e a caridade dos Apóstolos.

Por todo o povo santo de Deus, para que guarde a fé recebida dos Apóstolos e saiba reconhecer e seguir o seu Senhor, oremos.

Pelo nosso Patriarca Manuel e seus Bispos auxiliares, pelos presbíteros e diáconos e por todos os seus colaboradores no ministério, para que sirvam a humanidade, imitando a Cristo, oremos.

Pela nossa Igreja diocesana, para que alimentada da palavra, vivendo o encontro vivo com o Senhor na liturgia e pondo em prática a caridade, dê frutos abundantes de santidade e anuncie a todos a alegria do evangelho, oremos.

Pelas paróquias da nossa Diocese, para cresçam na consciência de serem a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas, comunidades de comunidades, santuários onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar e centros de constante envio missionário, oremos.

Pelas comunidades religiosas e pelos grupos de leigos, para que, na fidelidade aos seus carismas, sejam sinais da complementaridade eclesial, oremos.

Pelas famílias da nossa diocese, para que sejam lugares onde se educa para o respeito pela vida, se ensina a perceber as razões e a beleza da fé e da vida matrimonial, a rezar e a servir o próximo, oremos.

Por todos nós aqui reunidos em oração, para que o Senhor renove em nós o entusiasmo missionário para podermos partilhar o sonho missionário de chegar a todos, oremos.

Podendo acrescentar-se outras intenções, segue-se a oração do Pai nosso:

Pai nosso…

Depois, reza-se a oração oficial do Sínodo Diocesano:

Maria, Mãe da Igreja ajudai-nos a dizer o nosso «sim». Dai-nos a audácia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga. Virgem da escuta e da contemplação, intercedei pela nossa Igreja de Lisboa, em caminho sinodal, para que nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino. Estrela da nova evangelização, ajudai-nos a resplandecer com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz. Mãe do Evangelho vivo, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós.

Ámen.

Cântico final

É o sonho missionário
de chegar a toda a gente.
Longe ou perto, o necessário
É mostrar Cristo presente.
É o sonho missionário
De chegar a toda a gente

Sonhou o Papa Francisco
um mundo de Paz e Bem,
sem nada que ponha em risco
a esperança que nos mantém.

Está Cristo na sua Igreja,
pão vivo compartilhado.
Connosco vai a quem esteja
excluído, abandonado.

Aberto está o caminho:
sigamos, mas não a sós!
Ninguém percorre sozinho
a senda de todos nós.

Alegres no Evangelho
façamos, já, sem demora,
do mundo que ficou velho,
outro mundo novo agora!

E seja a Igreja, em Lisboa,
lugar de amor fraternal,
espaço onde ressoe
o convite universal.

Connosco Santa Maria,
nossa Mãe e nosso encanto,
Rumo a Deus que nos sacia,
na plenitude dos santos.