Joynal

Nesta página encontra os primeiros 10 números do joynal… mas não acabou…. ! para os números seguintes, vá ao menu ‘artigos’.

número 10 (10.5.2020)

Padre Giuseppe Berardelli
Giuseppe Berardelli

Da materialização ao amor

artigo preparado por
Margarida Vicente

“Padre italiano morre depois de recusar ventilador e o oferecer a doente mais jovem”. Uma notícia que pode parecer triste mas que nos traz muita esperança. Um sacerdote italiano, Giuseppe Berardelli, de 72 anos, vítima deste novo vírus cedeu o seu ventilador, doado pelos paroquianos, para que um paciente mais novo pudesse sobreviver. Um ato de puro amor! Um ato que representa o sacrifício de Jesus por todos nós! O amor pelo desconhecido é o que Jesus nos ensina, “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, e foi isto que aconteceu no seu último ato de generosidade e de fé. Confiou no Senhor e entregou-se, ainda que muito doente foi capaz de abrir os braços uma última vez aos filhos de Deus.

Hoje em dia a sociedade está muito egocêntrica, está muito voltada para os bens materiais. No entanto não são os bens que nos levam até Deus, mas sim as nossas ações e o que fazemos com elas. Dar-nos aos outros é o melhor que pode existir, para além de caminharmos cada vez mais para junto do Pai podemos ainda mudar a vida de alguém e quem sabe até salvar-lhe a vida. Não sabemos se a pessoa que recebeu este ventilador sobreviveu ou não, o que sabemos é que um simples ato de amor foi capaz de gerar amor noutro lugar. Noutro lugar houve uma família que pode relaxar um pouco por o seu ente querido poder ter acesso a um material muito requerido nos dias de hoje, um ventilador. O que um simples ventilador é capaz de fazer…. Salvar vidas, respira por nós…. Um bem material que se tornou num ato de compaixão e de sacrifício.

Nesta semana pedíamos que rezassem por todos os sacerdotes que, com tanto empenho, não deixaram nunca de celebrar a missa para a comunidade. Para que Deus lhes dê força pra continuar a transmitir a sua palavra.

Margarida Vicente


número 9 (3.5.2020)

Se ninguém ouve a mensagem… veste-a!

Nos tempos que correm, em que não podemos sair de casa e passamos os dias a inventar coisas para passar o tempo, Francisco, um emigrante português em Inglaterra, decidiu criar a sua própria marca de roupa.

artigo preparado por
Inês Viana

Ao constatar que, ao contrário de Portugal, em Inglaterra, as mensagens e apelos, que começam a tornar-se parte do dia a dia, como “Lava as mãos”, “Isola-te”, “Não te mantenhas em contacto” e “Reinventa o espaço”, não estavam a ser cumpridas, Francisco decidiu criar a Dress for Awerness, uma marca de roupa que mais que um negócio, é um projeto sem fins lucrativos, e cujo principal objetivo é alertar a sociedade para estes conselhos. Os artigos de vestuário da marca têm estes e outros conselhos do género estampados para que a mensagem se faça ouvir.

Em janeiro deste ano, o empreendedor de 29 anos, decidiu deixar para trás o cargo de gestor de produto que tinha na empresa britânica Monzo para fazer uma pausa. Como conta ao Observador “Saí e fiz uma pausa. Comecei por pôr a escrita e a leitura em dia. Fiz os Caminhos de Santiago”. Assim, o projeto de criar uma marca própria começou a ganhar forma, e Francisco inscreveu-se num curso de design. Duas semanas depois, com a explosão da pandemia, surgiu a ideia de estampar slogans relacionados com este assunto em t-shirts e camisolas e lançou este projeto.

mensagem: “Lave as mãos”

A Dress for Awerness é sustentável, não utilizando plástico ao longo da cadeia de fornecimento, utilizando algodão certificado, embalagens à base de resíduos industriais e todas as peças de roupa podem ser recicladas.

Para já, Francisco está a gerir o projeto a parti da sua casa, em Inglaterra e, apesar da ideia inicial ter sido apenas chamar atenção para os conselhos da DGS a propósito da atual pandemia, tem intensão de, no futuro, explorar outras problemáticas como a crise dos refugiados e a saúde mental, que necessitam de tanta ou mais sensibilização.
Link da notícia original: https://observador.pt/2020/04/21/o-mundo-nao-percebeu-imediatamente-a-mensagem-francisco-colocou-a-na-roupa/


Número 8 (26.4.2020)

Um Compromisso Constante

Dada a situação em que nos encontramos atualmente, em todo o mundo pessoas, independentemente da sua profissão e modo de vida,  tiveram que se adaptar às condições de isolamento e quarentena.
Um dos serviços que exerceu a maior adaptação foi o Ensino. Algo que antes era praticado através de grandes aglomerações e atividades conjuntas é agora exercido de maneira a que cada um consiga manter-se em segurança, respeitando a quarentena.
No entanto, o ensino não se limita só às aulas; uma escola não é só um edifício. Tal como a Igreja somos todos nós, uma escola também é a comunidade que nela se integra. E esses laços de companheirismo e amizade, não só de aluno para aluno e docente para docente, mas também de um grupo para o outro, são um bocado mais difíceis de gerir à distância.
Contudo, no município de Gwinnet, Georgia, EUA, professores de várias escolas básicas arranjaram uma alternativa para conseguirem contactar mais pessoalmente com os seus alunos: cortejos, feitos nos seus próprios carros.
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Muitos se juntaram nesta iniciativa para se reaproximarem com os seus alunos, integrando filas enormes de carros, que viajaram de vizinhança a vizinhança, às quais crianças entusiasmadas acenavam das janelas ou relvados das suas casas.
Na cidade de Suwanee, pertencente ao mesmo município, reuniram-se mais de 60 professores, que escreveram mensagem nos vidros dos seus carros para os seus alunos e participaram no cortejo que durou mais de duas horas.
Deste modo, algo simples e corriqueiro, como um passeio de carro, tornou-se em algo extremamente significativo.

Que esta semana tenhamos coragem para praticar atos assim: simples, mas muito precisos e cheios de significado.

Teresa Cunha


artigo preparado por
Teresa Cunha



Número 7 (19.4.2020)

Chamo-me Rodrigo, tenho 23 anos, e faço parte desta paróquia desde que me lembro. Na paróquia sou catequista, animador e animado. Certamente, este ser animado será a dimensão mais importante. Hoje, a desafio das pessoas responsáveis por este canto feliz e esperançoso, pediram-me para partilhar um pouco da minha experiência com este evento que é Jornada Mundial da Juventude (JMJ). 

Para quem não conhece este projeto, que terá a sua próxima morada em Lisboa, no ano de 2022, e de forma simples, poderá dizer-se que surge de uma vontade do papa São João Paulo II de poder reunir jovens católicos de todos os cantos do mundo numa cidade, proporcionando-lhes um encontro pessoal com Cristo e uma experiência de Igreja muito rica. Poderá, também, entender-se que existia um grande desejo do Santo Padre que a figura do Papa fosse mais próxima dos jovens.

Assim, em 1985 o Papa instituiu este evento que acontece de dois em dois, ou de três em três anos, junta milhões de jovens e conta sempre com a sua presença. 

A última JMJ aconteceu em Janeiro de 2019, na Cidade do Panamá. Foi a 14ª edição, e eu estive lá! Mas podemos começar pelo início da minha história com as Jornadas… 

Estávamos no ano de 2010, ainda estava na catequese, e surgem os primeiros ecos que tenho memória da Jornada Mundial da Juventude. Em 2011, a JMJ acontecia em Madrid, e muitos jovens da nossa paróquia preparavam-se para ir. Angariações, correria e muita alegria! Na altura, ainda me convidaram para ir, mas por ser muito jovem, acabei por não participar. Em 2013, a JMJ teve lugar no Rio de Janeiro, e já tinha idade para poder participar, mas por ser noutro continente, e ser mais dispendioso, também acabei por não ir. Já em 2016, na JMJ que teve lugar em Cracóvia, foi diferente, e desde cedo o grupo de jovens de Linda-a-Velha começou a preparar-se para ir ao encontro do Papa Francisco na terra de São João Paulo II! 

Entre venda de bolinhos na paróquia, a eventos de angariação e muita providência de Deus, o grupo conseguiu participar nesta edição da JMJ. Facilmente, recordo esta semana como das experiências mais belas que tive em Igreja. É inacreditável perceber que somos tantos, tantos os enamorados por Cristo, tantos os jovens que querem estar com o Papa, tantos que são sinal de esperança para o mundo, porque as suas vidas dizem isto: com Jesus, a vida tem sentido, e é melhor! 

No final dessa Jornada, foi anunciado que a seguinte teria lugar no Panamá. Apesar da enorme alegria e vontade de querer participar nessa JMJ, o Panamá, do outro lado do Atlântico, pareceu-me muito distante. E de certa forma, cedo arrumei dentro de mim que provavelmente não iria participar. 

No entanto, Jesus gosta de nos oferecer o que nem ousamos sonhar, e nunca sabemos as surpresas que Ele tem guardadas para cada um de nós. E a pouco mais de um mês da semana do início da Jornada, no Panamá, quando estava mais que certo de que não iria estar, recebi um convite para participar nessa JMJ como voluntário internacional.

Era um convite irresistível, e não consegui dizer não. Assim, no dia 4 de Janeiro, com mais 5 jovens portugueses, rumei até ao Panamá, sem saber bem o que iria fazer, mas com a certeza que queria estar como Nossa Senhora, e como lembrava o tema dessa Jornada: Faça-se em Mim Segundo a Tua Palavra (Lucas 1:38), disponível para o que me pedissem.  

Foi um mês muito intenso, onde pude conhecer um povo muito generoso e simples, e que procurou sempre em tudo estar centrado em Cristo, e isso tocou-me muito, e guardo no coração estas mãos vazias que entregaram tudo para fazer a melhor Jornada possível. É impressionante, e até assustador, poder ter um vislumbre do trabalho que dá preparar um evento destes, mas, que na mesma medida, é entusiasmante e sedutor, porque já conhecemos as maravilhas que a JMJ pode proporcionar, e sabemos que não estamos sozinhos na sua preparação, porque há Cristo, que quer participar, e a partir deste evento, e em todas as etapas, auxiliar e transformar vidas! Com receio de me poder estar a alongar muito, gostaria de partilhar, ainda, que foi, também, um tempo em que o Deus das surpresas, como carinhosamente Lhe chamávamos, fez muitas milagres, e se O foi quando me chamou para ir até ao Panamá, continuo a manifestar-Se dessa forma até ao fim desta aventura. Cristo teve sempre a capacidade de nos ultrapassar com a Sua criatividade e agilidade, e quando tudo parecia um céu cinzento, lá vinha Ele para dissipar as nuvens, e dizer-nos Não temais! 

Em 2022, com o tema Maria levantou-se e partiu apressadamente (Lc 1, 39), Lisboa vai ser palco da Jornada Mundial da Juventude! É um evento que tocará a todos, e por isso, não fiquemos a ver da janela. Façamos como Maria e levantemo-nos, apressadamente, para ir ao Seu encontro e respondermos ao que Ele nos pedir! 

2022 está quase aí, rezemos pela Jornada Mundial da Juventude em Lisboa! Vai ser bom, vai ser muito bom!

Rodrigo Figueiredo


Número 6 (12.4.2020)

Katherin Johnson

Katherin Johnson foi uma matemática, física e cientista norte-americana que contribui para o avanço da aeronáutica e exploração espacial.

Nascida a 26 de agosto de 1918, filha de um agricultor e de uma ex-professora, Katherin sempre se demonstrou, desde pequena, bastante interessada em matemática. Formou-se aos 14 anos, aos 15 iniciou os estudos universitários e em 1939 tornou-se a primeira mulher negra a ter uma graduação na Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos.

Mas não fica por aqui! Em 1953 a NASA ofereceu-lhe trabalho em gestão de recursos.
Um dia Katherine e uma colega foram temporariamente designadas para ajudar uma equipa de pesquisa de voo, toda ela composta por homens.
Como nos anos 50 havia uma barreira que tanto as mulheres como as pessoas negras tinham de enfrentar para conseguirem usufruir dos mesmos direitos que os mais privilegiados, Katherin Johnson teve de lutar para conseguir o reconhecimento que teve.
Apesar de tudo, manteve sempre uma atitude assertiva perante os seus colegas e chefe, o que a levou a estar em reuniões onde nenhuma mulher antes esteve.

Barack Obama (antigo presidente dos EUA) honorou Katherin, a 24 de novembro de 2015,  com a Medalha Presidencial da Liberdade.
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Katherin faleceu a 24 de fevereiro de 2020, aos 101 anos de idade.

Se esta história soa familiar é porque já deve ter visto o filme “Elementos Secretos” (“Hidden Figures”), que retrata a vida cheia de desafios de Katherin Johnson e de mais duas mulheres, igualmente importantes: Dorothy Vaughn e Mary Jackson.undefined

Que esta semana nos deixemos sensibilizar por todos aqueles que, nos dias de hoje, ainda sofrem com injustiças por serem “diferentes”.
Leonor Félix

artigo preparado por
Leonor Félix

NÚMERO 5 (5.4.2020)

A vida é real-mente bela!

Parece uma história inventada e, de facto, é a história do famoso filme A Vida É Bela. Este retrata a história de uma família italiana que é enviada para um campo de concentração, em plena Segunda Guerra Mundial, perante o qual o pai decide transformar o tempo vivido no campo num jogo de sobrevivência com vários desafios, de modo a minimizar o sofrimento do filho.

Agora, a história tornou-se realidade. Na Síria, Abdullah Al-Mohammad, pai da pequena Salwa, decidiu, tal como o pai do filme, tentar minimizar o sofrimento da filha face à guerra que vivem à porta de casa, ensinando-a a rir-se do barulho dos mísseis e explosões. 

Segundo o pai, a ideia para este “jogo” veio quando este viu que a filha se assustava com o barulho do fogo de artifício e, uns dias mais tarde, ela mostrou a mesma reação ao som de um míssil. Assim, o pai explicou-lhe que não havia qualquer razão para ter medo dos barulhos e da sua origem, dizendo que estes provinham de armas de brincar e que ela apenas se deveria rir assim que os ouvisse, sendo que não passava tudo de uma brincadeira.

Esta família teve de se mudar para a casa de uns familiares devido aos bombardeamentos, mas Abdullah afirma que lidar com os bombardeamentos e o seu som “já se tornou rotina”.

 No mês passado, Abdullah postou um vídeo no qual a filha se ria com o barulho dos mísseis como forma de mostrar ao mundo como eles estavam a lidar com a situação vivida na Síria. Este vídeo chamou à atenção de muita gente e a família acabou por ser resgatada, encontrando-se agora na Turquia, a salvo dos mísseis e da guerra.

Nesta semana rezemos para que todos os conflitos cessem e por todas as famílias que, de alguma forma, são afetadas pela guerra, para que encontrem consolo em Deus.

-Inês Viana

artigo preparado por
Inês Viana

NÚMERO 4 (27-3-2020)

Artigo de Joana Brígida

A Missão País é um projeto católico universitário, e este ano tive a oportunidade de fazer parte deste grande projeto com a Faculdade de Belas Artes. 
A nossa semana de missão foi na Azinhaga do Ribatejo, onde fomos distribuídos por comunidades de serviço. Havia jovens no lar, outros na escola e um grupo na preparação de uma peça de teatro a ser apresentada no final da semana. 

Eu tive o prazer de fazer parte de uma outra comunidade de serviço, o porta-a-porta, cujo trabalho era ir ao encontro dos residentes, quer estivem em casa ou na rua.
As pessoas recebiam-nos nas suas casas, contavam as suas histórias de vida, os seus desejos e desassossegos. Senti-me honrada por partilharem comigo um pouco das suas vidas. 
Dessa espetacular semana que estive na Azinhaga, levei novos amigos, novas experiências, muita música, histórias e uma grande vontade de continuar a viver o espírito de partilha e bondade.

“A esperança é a âncora que temos no fundo da alma”
(cf Heb 6,19)

Uma pequena crónica sobre a Missão País


NÚMERO 3 (22-3-2020)

A Luz na escuridão

Artigo preparado por Ana Serra

Neste tempo em que parecem ser só más noticias e temos sido assombrados por este vírus vim tentar trazer algumas boas, uma lufada de ar fresco. O avanço do coronavírus não está apenas a causar preocupação e medo. 
Têm surgido várias iniciativas por todo o mundo que têm mostrado que estamos a lidar com esta situação de uma forma bastante unida e solidária, por exemplo no bairro de Barriera di Milano, em Turim, quatro jovens tiveram a iniciativa de ajudar os mais frágeis deixando nas entradas dos prédios os seus números de telefone. “Queremos ajudar, ser úteis nesta altura difícil e esperar que outras pessoas, ao ver o nosso gesto, façam o mesmo”, disse uma das jovens.
E de facto inspirou mesmo, tem sido um movimento que se tem espalhado, estando já também em Portugal (existindo também várias iniciativas nas redes sociais, como o @vizinho_amigo_, para este fim). Os Jovens estão a deixar bilhetes mostrando-se assim disponíveis para ajudar com as compras, farmácia, etc. 

Este é o símbolo criado pelos jovens para a sua iniciativa de ajuda aos vizinhos

Para além disto, também pela primeira vez desde 2009 a procura global de petróleo diminuiu assim como as emissões de dióxido de carbono (estando a emitir menos um milhão de toneladas por dia), isto devido ao abrandamento no consumo de carvão e à suspensão de milhares de voos.
Mas a verdade é que queremos livrar-nos deste vírus de forma mais eficaz, e para isso, estão a ser estudadas possíveis vacinas por 40 diferentes Universidades/Empresas. Recentemente a China produziu uma vacina contra o coronavírus que já está autorizada a ser testada em humanos embora ainda não haja uma data prevista.
Por isso, neste período que nos põe à prova, tentemos tirar algo bom deste tempo de quarentena, que também nos pode ajudar a dar mais valor ás pequenas coisas que tomamos como garantidas e a passar mais tempo connosco e com os nossos.

Rezemos nesta semana por todos os que estão a ser afetados por este vírus, direta ou indiretamente, para que com a ajuda de todos tudo possa voltar à normalidade. Rezemos também em ação de graças por todos os profissionais de saúde e de serviços essenciais que nestes tempos difíceis tanto têm feito para garantir o bem estar de todos.

Ana Serra


NÚMERO 2 (15-3-2020)

“A heroína do voo”

Artigo preparado por Teresa Cunha

Neerja Bhanot: não é um nome familiar, pois não? No entanto, tem boas razões para o ser. 

Neerja Bhanot nasceu a 7 de Setembro de 1963, em Chandigarh, India, e foi criada em Bombay, hoje em dia conhecido como Mumbai. Parte da sua educação escolar teve lugar na Secundária Sénior do Sagrado Coração (de Jesus), em Chandigarh.

Em 1985, após uma breve carreira como modelo, candidatou-se como assistente de bordo, para a companhia Pan American World Airways, acabando por ficar com o cargo de comissária de bordo.

A sua vida mudou drasticamente no dia 5 de setembro de 1986, quando o voo que partira de Bombay em direção aos Estados Unidos foi sequestrado por quatro homens armados enquanto fazia uma escala no Paquistão. Os sequestradores pertenciam a uma organização terrorista palestiniana, denominada Organização Anu Nidal. Assim que os homens embarcaram no avião Bhanot soou o alarme, o que possibilitou a fuga dos pilotos e engenheiro de voo, impedindo assim que o avião descolasse. 

Não podendo cumprir o seu plano original de desviar o avião para o Chipre e aí libertar prisioneiros palestinianos, os terroristas exigiram a Bhanot que recolhesse os passaportes de todos os passageiros, de modo a que eles conseguissem identificar os de nacionalidade americana para os executar. Bhanot recusou-se a cooperar, escondendo os passaportes com a ajuda de outros assistentes de bordo. Após 17 horas de sequestro os terroristas abriram fogo dentro do avião e, perante isto, Bhanot apressou-se a evacuar os passageiros pelas saídas de emergência. Quando os homens se aperceberam disto balearam-na à queima-roupa, enquanto ela usava o seu corpo como escudo humano para proteger as três crianças americanas que estava a ajudar a escapar.

A bravura de Bhanot pode ter-lhe custado a vida, mas salvou a de 42 passageiros americanos, de um total de 44. Este ato de bravura fez dela a mais jovem e primeira mulher a alguma vez ser agraciada com o prémio Ashok Chakra Award, o mais prestigiado prémio de bravura em tempos de paz da Índia. Foram-lhe também concedidas várias condecorações do governo americano bem como o Tamgha-e-Pakistan, um prémio Paquistanês dado a demonstrações de extrema bondade e benevolência humanas.

Após a sua morte, tanto o governo indiano como americano lhe fizeram várias homenagens. Uma delas foi a criação de um prémio, com o incentivo da sua família, que consta de dois prémios em numerário, que são entregues, um a um assistente de bordo que tenha tomado medidas humanitárias para além das exigidas formalmente e  outro a uma mulher indiana que, face a uma situação de injustiça e desigualdade, tenha lutado tanto por si mesma como por mulheres em situações semelhantes.

Em 2016 foi lançado um filme, de realização indiana, denominado “Neerja”, com o objetivo não só de retratar a sua bravura e humildade, mas também de a honrar. O filme foi galardoado com várias nomeações e prémios.

“A sua lealdade para com os passageiros em perigo será sempre um tributo permanente ás melhores qualidades do espírito humano.” – tradução livre de uma citação do Ashok Chakra

Que esta semana rezemos pelos fortes de espírito, para que nunca cessem a sua luta pelo bem, e pela redenção dos corações perturbados, para que Deus os perdoe e lhes mostre o caminho. 

-Teresa Cunha


NÚMERO 1 (8-3-2020)

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James Fitzgerald em interacção com um koala.

Depois das Chamas

O fim de 2019 e início de 2020 foram marcados por vagas aterrorizadoras de incêndios que se alastraram pelo continente australiano. Todo o mundo se uniu em solidariedade para ajudara combater a destruição que assolava este continente de espécies e ecossistemas únicos. 

Depois de muito esforço, o monstro devorador foi, finalmente, vencido. Contudo, a luta não acaba aí. Muitos ecossistemas e habitats naturais ficaram devastados, e, consequentemente, diversas espécies ficaram desalojadas e à mercê de muitos perigos dos quais não se conseguem proteger fora da segurança da sua casa natural.

É aí que heróis do quotidiano, como James Fitzgerald e sua equipa de pesquisa da Universidade Nacional Australiana entram: James e os seus colegas  têm-se deslocado, ao longo destes meses, às ruínas onde anteriormente se encontravam vastas áreas de habitats naturais e santuários de vida animal, e resgatado os animais feridos e/ou desalojados que aí se encontram, levando-os para centros de tratamento e alojamento criados de propósito para alojar estes animais e ajudá-los na sua recuperação.

Fitzgerald espera conseguir restituir todos os animais resgatados à sua vida selvagem natural e, com a ajuda de várias campanhas de angariação de fundos que têm estado a decorrer, ser capaz de reconstruir o seu santuário, Two Thumbs Wildlife Trust, casa de várias espécies, como koalas, kangurus, equidnas, entre outros.

De igual modo, muitas outras associações têm-se organizado em ações de voluntariado semelhantes, uma delas, por exemplo, a associação Friends Of The Koala,especialmente dedicada à reabilitação desta espécie que, mesmo antes desta tragédia, já se encontrava em perigo de extinção.

Que esta semana rezemos por todas as pessoas que, direta ou indiretamente, se esforçam por recuperar e reabilitar os ecossistemas ameaçados do nosso planeta. 

-Teresa Cunha

artigo preparado a 5/3/2020 por:
Teresa Cunha