Cheios de alegria!

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“CHEIOS DE ALEGRIA POR VEREM O SENHOR!”

Estas palavras do Domingo da ressurreição aplicam-se a todos os discípulos de Jesus. A pouco e pouco, cada um deles experimenta esta alegria profunda e luminosa.

Também hoje é bom recordar o fundamento desta alegria: o Senhor está vivo!

Vale a pena reconhecer que muitas vezes perdemos tempo em análises, discussões e opiniões. Reduzimos repetidamente a realidade à nossa capacidade pessoal, ou aos nossos interesses e projectos. Reconhecer esta nossa ‘tristeza fatal’, ajuda-nos a procurar a alegria onde ela realmente está: em Cristo ressuscitado.

De facto, a fé cristã tem esta dimensão da surpresa, do inesperado, do não planeado. O anúncio pascal vem romper a pequenez em que nos movemos, para nos iluminar de infinito, de vida, de esperança. Os nossos planos de ‘vistas curtas’ são superados pelo grande plano de Deus, que abarca todos e todo o universo.

Somos certamente como São Tomé: ver para crer. Por isso o Senhor continua a convidar-nos: olha e vê, estende a mão e toca. Os sinais do Ressuscitado continuam. Ele vem e convida à fé.

Assim como depois da ressurreição os discípulos o reconheceram pelos mesmos sinais que tinham visto antes de Jesus morrer, assim também hoje reconhecemos Jesus vivo pelos mesmos sinais que Ele continua a realizar, especialmente a Eucaristia. É o Senhor que nos aparece e diz: “isto é o meu corpo e o meu sangue; sou Eu mesmo, vivo e presente para ti”.

O que havemos de dizer e fazer? “Meu Senhor e meu Deus, fico cheio de alegria por te ver. És tu mesmo!” Precisamos de nos converter continuamente à Eucaristia: é esta a maneira escolhida por Jesus para se mostrar a cada um de nós. Por isso, da tua parte, vem cada Domingo à Missa para veres o Senhor; para te ajoelhares perante Ele; para o veres, reconheceres e tocares; para te alimentares d’Ele; para lhe dizeres com alegria e admiração: “Meu Senhor e meu Deus, eu creio em Ti!”.

Daqui olhamos para a primeira leitura — no tempo pascal a primeira leitura é sempre do livro dos actos dos apóstolos — e vemos como a vida daquelas pessoas mudou, e criaram novas relações de fraternidade: a partir do Ressuscitado nascem novas relações humanas. Precisamos tanto! O mundo precisa tanto de aprender a relacionar-se à maneira de Jesus! Podemos ver aqui a nossa missão: ser testemunhas de uma humanidade nova, porque vivemos a partir de Cristo ressuscitado.

Na segunda leitura por duas vezes se fala de alegria. A alegria da vida eterna, da herança que temos nos Céus, oferecida pela fé em Jesus. E ainda esta frase tão bela: “Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas“.

Alegria “inefável”, quer dizer que não há palavras para a descrever. As palavras humanas são sempre curtas para a largueza do que é viver em Deus e a partir de Deus. Mas a experiência é sempre de alegria e paz profundas.

Alegria “gloriosa”, quer dizer que não é passageira, nem provisória, nem egoísta. É a alegria da luz, do sol, das estrelas, do que fica para lá de tudo… É ter no coração as dimensões do Céu! Não podemos parar na fé, enquanto não estivermos à altura de tão grande dom de Cristo.

Finalmente, hoje podes usar o critério da alegria para avaliar a tua própria fé. Ou seja, se andas triste é porque a tua fé está sem o Ressuscitado. Se andas verdadeiramente com alegria e esperança, é porque já viste o Ressuscitado e segues a sua luz: nada nem ninguém te podem roubar esta alegria!

CONTINUAÇÃO DE BOAS FESTAS! 
SANTA E FELIZ PÁSCOA!

Padre Diamantino