PALAVRA DOMINICAL

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Domingo V do Tempo da Quaresma – Ano A

RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

O que é ressuscitar? É voltar à vida.

Mas: como posso ressuscitar? A morte é sempre vencedora, e o corpo apodrece! Não tenho poder para vencer a morte! Tudo acaba na sepultura!

Mas não! Há uma boa notícia: Cristo saiu do sepulcro! Ele venceu a morte e a corrupção.

O evangelho da ressurreição de Lázaro anuncia-nos esse poder. Jesus não apenas ressuscitou, como tem poder para nos ressuscitar a nós: quem acredita em Jesus, tem a mesma vida que Jesus.

Mais ainda, com Jesus voltar à vida não é voltar igual: ressuscitamos para a vida eterna. Portanto, é uma ressurreição transformadora. Não apenas voltar a esta vida, como Lázaro, mas ressuscitar para uma vida eterna.

Vida eterna é portanto uma vida diferente. Não é apenas ‘viver para sempre’. É viver transformado. Na doutrina aprendemos até as qualidades do corpo transformado pela ressurreição, o ‘corpo glorioso’: impassível: não sujeito a mal algum; subtil: isto é, não sujeito aos limites da matéria; ágil: rápido demais, pois obedece ao espírito em todas as suas atividades; e claro: esplendoroso, brilhante. 

Isto decorre do que São Paulo descreve na carta aos Coríntios, capítulo 15: 

-“Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível” A primeira qualidade do corpo glorioso é tornar-se imune à morte, a doenças, a ferimentos etc. “A morte não terá mais domínio sobre ele”.

-“Semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual”. A segunda qualidade é a subtileza, em virtude da qual se torna capaz de penetrar os corpos duros e resistentes, como fez Jesus ao entrar no Cenáculo, estando fechadas portas e janelas.

– “Semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso” A terceira qualidade do corpo glorioso é a agilidade, ou seja, o poder de estar, num instante, onde bem quiser.

– “Semeado no despre­zo, ressuscita glorioso”. A quarta qualidade é a claridade, pela qual o corpo de Cristo resplandecia mais do que o Sol. 

A segunda leitura de hoje anuncia esta realidade na nossa vida: morremos na carne, ressuscitamos no Espírito. O corpo mortal é transformado. A morte já não é destruidora, mas purificadora: precisamos de morrer para deixarmos tudo o que é mal e pecado, tudo o que é mortal e passageiro. Purificados pela morte, vivemos de novo pela força do Espírito. 

Terminemos meditando no diálogo de Jesus com Marta. Podia ser o teu diálogo com Jesus hoje: “acreditas nisto?” “Eu criso Senhor que tu és o Messias!” No fundo, tudo o que Jesus fez e anunciou sobre a vida eterna precisa da tua resposta, do teu acolhimento, do teu sim. Nada do que Jesus te oferece é automático: é sim uma relação pessoal, uma ligação afectiva e amorosa entre tu e Jesus.

É essa relação pessoal que te transformará, dia a dia, até ao momento definitivo da morte purificadora, na esperança de ressuscitares na vida eterna, nova e definitiva, em Cristo e na comunhão de todos os anjos e santos.

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Padre Diamantino