
Reflexão à Liturgia da Palavra da Solenidade da Epifania do Senhor Ano C
Celebramos hoje a Solenidade Litúrgica da Epifania do Senhor, que significa manifestação, complemento do mistério de Belém. Deus fez-se homem, nasceu em Belém e manifestou-Se a todos os povos do mundo, representados por um grupo de homens importantes que vieram de várias terras, guiados por uma estrela até Belém, para O visitar e prestar-Lhe homenagem.
Festa dos Reis Magos, festa de todo o mundo a caminho de Belém. Os cristãos do Oriente celebram neste dia a Solenidade do Natal do Senhor. Os pastores viram um Menino envolto em panos; os Magos viram o Rei e adoraram.
Isaías, numa visão profética , descreve-nos Jerusalém, situada num alto monte, iluminada por uma luz celeste, enquanto o mundo inteiro se encontra mergulhado na escuridão. Povos de todas as raças e nações caminham de noite ao encontro dessa luz, procurando a salvação na nova Jerusalém, que é a Igreja. “Todos se reúnem e vêm ao teu encontro”, diz a primeira leitura da profecia de Isaías 60, 1-6. Epifania é festa de toda a gente. Manifesta-se aos homens o amor universal de Deus, chamando todos à salvação. É Ele por quem todos esperavam. Vêm de longe, de escravidões e cansaços, ao encontro da estrela anunciada, certeza das suas esperanças. Jesus é o Salvador de todas as pessoas. Nasce para todos, saltando fronteiras de raças e condições. Já não há privilegiados,, mas apenas pessoas a quem Deus quer bem. O Salvador que nos nasceu não é património dum povo ou de uma raça, mas vem fazer de todos herdeiros da mesma herança (2.ª leitura). O caminho dos Magos abriu rotas de ecumenismo. Agora todos os caminhos de todas as pessoas e de todos os povos passam por Belém.
“Virão adorar-Vos Senhor, todos os povos da terra”, é o refrão do Salmo Responsorial, para o qual a Liturgia propõe o salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13. O Espírito Santo convida-nos a entoar, como resposta à interpelação que nos fez no texto do profeta Isaías na primeira leitura, um salmo no qual se proclama a divindade e a realeza de Jesus. Quando formos tentados a olhar com pessimismo a Igreja e o mundo, façamos deste salmo a nossa oração.
S. Paulo na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, diz-lhes que “os gentios receberam a mesma herança que os judeus , pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”. A segunda leitura é da Epístola de S. Paulo aos Efésios 3, 2-3a.5-6.
“Onde está, perguntaram eles, o rei dos judeus que acaba de nascer?”, perguntaram os Magos ao rei Herodes , conforme narra o Evangelho segundo S. Mateus 2, 1-12, a ser proclamado neste Domingo. Epifania é a festa da realeza. Andavam os homens como ovelhas sem pastor à procura dum Rei que apascentasse as suas esperanças e Deus responde, erguendo entre as pessoas o seu trono real. Jesus Cristo que nos nasceu veio ao mundo para reinar. Em pobreza e humildade senta-se o Senhor do universo, recebendo a oferta dos seus vassalos. Tem nas mãos a realeza e o poder.
“”Nós vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O”, justificam os Magos. Epifania é festa de luzes. A estrela que brilhou aos Magos antecipa e anuncia o fulgor da luz pascal. O caminho dos Magos traça-nos o itinerário da experiência da fé. Viver a vida da fé exige peregrinar na luz duma estrela que um chamamento acendeu.
A estrela é a Palavra encarnada que se chama Jesus. Mais do que palavras, a fé é uma Pessoa. Envolve o risco e a audácia de deixar para trás as antigas ciências, para correr a prostrar-se diante do mistério oculto de Deus. Pede fidelidade na busca, quando os sinais se apagam e a luz desaparece. Aceita a fragilidade do sinal, a luz intermitente que desconcerta e interroga. A fé não mora em palácio, mas em pobreza e humildade, desarmada de razões e evidências. Buscas e perguntas são aprova necessária que enraíza na alma as divinas certezas. É caminhando sempre que a estrela renasce e aparece mais clara e fascinante.
Epifania é festa da Igreja. Ela aí vem hoje, peregrina em todas as pessoas. A claridade de Jesus Cristo, “luz dos povos”, resplandece no rosto da Sua Igreja, enviada ao mundo a iluminar todas as pessoas com o Evangelho da salvação (Lumen Gentium do Concílio Vaticano II. No mistério da Epifania começa a aprender a missão universal de ir pelo mundo fazer discípulos de Jesus Cristo toas as pessoas. A Igreja é hoje a estrela dos Magos, que brilha no horizonte do mundo, solução e resposta a todos os seus problemas. A missão da Igreja é ser “manifestação”. Que nos ampare neste caminho a Bem-aventurada Virgem Santa Maria, Estrela que nos conduz a Jesus e Mãe que mostra Jesus aos Magos e a todos aqueles que se aproximam d’Ela.


